VIII SEMINÁRIO UNIVERSIDADE, CULTURA E SOCIEDADE

Programado para segundo semestre de 2018, a oitava edição do seminário vai abordar a imigração e no ensejo da efeméride dos cinquenta anos de criação da universidade em contraponto aos cinquenta anos da publicação da carta dos direitos humanos. As mesas de trabalho contarão com a presença de representantes do Japão, Canadá, Itália em processo de confirmação de agenda. Contará também como uma mostra de documentários, e apresentação de trabalhos e estudos sobre a temática.

A coordenação cientifica está a cargo da Profª Dra. Priscila Perazzo  e organização do  Laboratório de Hipermídias e do Núcleo de Ação Cultural da universidade e Laboratório de Hipermídias. Em breve a primeira chamada deverá ser publicada.

 

VII Seminário Universidade, Cultura e Sociedade – 2017 

Nesta sétima edição o seminário discute as cidades criativas e os territórios inteligentes. A iniciativa do Núcleo de Ação Cultural com Instituto Som da Língua e LabStrategy propõem  o debate e reflexão as cidades e as suas características culturais, e como serão elas conectadas a partir de infraestruturas capazes de modificar o espaço urbano, e como ocorre essa reinvenção e de fato o que determina um território ser inteligente?

Confira a programação dos debates:

TED – TECNOLOGIA, ENTRETENIMENTO E DESIGN

Inicio: 14h – Apresentação e acolhida aos convidados

14h15 | Tecnologia

Tecnologia prá que te quero! –

Lee Araújo

Developer, Webmaster, com foco em UX (User Experience). Analista de sistemas formada pela Universidade Mackenzie em São Paulo (2004) – Brasil, Pós graduada (MBA) em Engenharia de Software pela FIAP – São Paulo – Brasil.

14h30 | Entretenimento Dias e Cia – dança contemporânea Êxodo –
Sinopse: Êxodo. Caminho, passagem, trajetória. O que interessa não é a direção ou o ponto de chegada, mas a jornada. O caminho denuncia escolhas, superações e fracassos. Trajetória concreta, ora abstrata espiritual, ora quântico-físicas. Partidas e chegadas.
Ficha técnica: Direção e Coreografia: Edgar Dias | Produção: Josie Berezin | Iluminação: Alexandre Zullu | Cenografia: Telma Dias | Sonoplastia: Arthur Vellado Elenco: Camila Freitas, Israel Plinio, Josie Berezin, Livio Lima, Lucas Barbugiani e Maria Alina Corsi.

14h45 | Design Economia Criativa e Incubadoras de Desenvolvimento Territorial –  Glaucia Cristina Garcia Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2016), Pesquisadora desde 2013 no Laboratório de Estratégias Projetuais (Labstrategy – Mackenzie) com o tema: ;Impulsos econômicos na estruturação do território urbano de Dharavi na Índia; (2016).

15h às 15h15 –

Intervalo café 15h15

| Painel Cidades Criativas – Territórios Inteligentes Ph.d Arquiteto e Urbanista Carlos Andrés Hernández Arriagada – Doutor em Arquitetura e Urbanismo pelo Instituto Presbiteriano Mackenzie (2012), com a Tese: Estratégias Projetuais Aplicadas no Território Portuário de Santos & quot;. Mestre em Arquitetura e Urbanismo pelo Instituto Presbiteriano Mackenzie (2004), graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade São Judas Tadeu (2000), Pesquisador e Professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie no curso de Arquitetura e Urbanismo. Ex-Coordenador de Relações Inter-Institucionais (2016) e responsável pelo Laboratório de Estratégias Projetuais [ LABSTRATEGY ] Com os temas de atuação: Estratégias Projetuais / Requalificação de Cidades Portuárias e Projetos Urbanos em Zonas Degradadas.

Prof. Msc. Carlos Murdoch Fernandes Arquiteto e Urbanista –  Possui graduação em Arquitetura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – URFJ (1990) e mestrado em Arquitetura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2013). Atualmente leciona na Universidade Estácio de Sá, Universidade Federal do Rio de Janeiro (pós graduação) e na Fundação Getúlio Vargas. Tem experiência na área de Arquitetura e Urbanismo, com ênfase em Sustentabilidade, atuando principalmente nos seguintes temas: arquitetura,meio-ambiente, bioclimatismo, eficiência energética, arquitetura moderna brasileira, história, teoria, edifícios comerciais, interiores corporativos e design de mobiliário. Atua no mercado através do escritório Murdoch e Sodré Arquitetos Associados com ênfase em projetos de pequeno e médio porte (comerciais, educacionais e residenciais) e consultorias relativas à eficiência energética e sustentabilidade nas edificações.

Prof. Dr. Aristogiton Moura – Consultor internacional em Ciências e Técnicas de Governo, formado por Carlos Matus da Fundação Altadir. Na Fundação Altadir atuou como professor, consultor, monitor e coordenador dos cursos, seminários, consultorias, assessorias e eventos realizados no Brasil e na América Latina. O trabalho da Fundação Altadir consiste em elevar a capacidade de governos e gestão superior das organizações, através de investimentos em capacitação, organização e reforma de sistemas de governo. As bases teóricas são fundadas em planejamento estratégico situacional, teoria das macro organizações e sistemas de alta direção, que se traduzem em métodos, processos e sistemas de propriedade intelectual, desenvolvidos pelo Prof. Carlos Matus Romo.

Prof. Dr. Francisco Comaru – Engenheiro civil pelo Instituto Mauá de Tecnologia (1992); Mestre pela Escola Politécnica da USP (1998), Doutor pela Faculdade de Saúde Pública da USP (2004). Foi Affiliate Academic na Universidade de Londres (2011), Visiting Scholar na Organização Internacional do Trabalho, Genebra (2011) e Volunteer na Organização Mundial da Saúde, Genebra (2011), instituições onde realizou pesquisa de pós doutorado, como bolsista do CNPQ. Atualmente é Professor Associado na Universidade Federal do ABC.
Orientador de mestrado e doutorado do Programa de pós graduação em Planejamento e Gestão do Território da UFABC. É colaborador do LABHAB FAUUSP, do Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos do CEPEDOC – Centro de Estudos e Documentação em Cidades Saudáveis da FSP USP e integrante do Grupo de Estudos Crise Urbana, Justiça Espacial e o Direito a Cidade do IEA USP. Assessor científico da FAPESP, consultor ad-hoc da CAPES e parecerista de periódicos nacionais e estrangeiros. Tem experiência acadêmica e profissional em assessoria a governos e movimentos sociais, planejamento e gestão urbana e ambiental e políticas de habitação. Realiza pesquisas, atividades de ensino e extensão nos temas: políticas urbanas; áreas centrais metropolitanas; saúde pública; educação popular e ambiental; políticas públicas territoriais e trabalho decente.
Prof. Joaquim Celso Freire – mediação Graduado em Administração de Empresas pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (1982), mestre em Administração pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1993) desenvolvendo estudo sobre Gestão Participativa e mestre em Administração pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (2002). É professor de Administração na USCS – Universidade Municipal de São Caetano do Sul desde 1985, onde ocupou o cargo de Pró-Reitor de Extensão de 01/08/2000 a 01/03/2013. Presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC, Tem experiência na área de administração atuando principalmente nos seguintes temas: recursos humanos, administração geral, gestão participativa e estratégia. Experiência, ainda, em gestão acadêmica, gestão de programas de extensão, gestão de ações de comunicação e cultura. Tem livros publicados nas áreas de literatura (prosa e poesia) e de políticas públicas.

 

VI Seminário Universidade Cultura e Sociedade – 

Politicas de Cultura e Empreendimento Social Universitário para América Latina e Caribe

O  VI Seminário Universidade Cultura e Sociedade discutiu o tema: Politicas de Cultura e Empreendimento Social Universitário para América Latina e Caribe, atividade conjunta com a 8ª CÁTEDRA DE INTEGRAÇÃO LATINO AMERICANA E CARIBE – AUALCPI 2016. Para debater o tema, foram convidados o (a) Prof. Felix Rios (Venezuela), sociólogo formado pela Universidade Católica Andrés Bello e mestre em gestão pública pelo Instituto de Estudos Superior em Administração. Suas atividades estão relacionadas com desenvolvimento  de capacidades em empreendimentos sociais, elaboração e planejamento estratégico de projetos. Atualmente é presidente da Associação Civil Opção Venezuela, entidade associada a Rede de Gestão Social da Opção Latino-americana. (b)  Dr. Guilherme Varella (Brasil), é advogado, pesquisador e gestor cultural. Foi Secretário de Políticas Culturais do Ministério da Cultura (2015-maio/2016). Foi Chefe de Gabinete e Coordenador da Assessoria Técnica da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo de 2013 a 2015. É autor do livro “Plano Nacional de Cultura – direitos e políticas culturais no Brasil” (Azougue, 2014). Foi formado e é mestre em Direito pela Universidade de São Paulo, com a dissertação “Plano Nacional de Cultura: elaboração, desenvolvimento e condições de eficácia”. Foi advogado do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), onde coordenou a área de direitos autorais e acesso à cultura e ao conhecimento, tendo participado da elaboração do caderno Direito Autoral em Debate, da Rede pela Reforma da Lei de Direitos Autorais. É consultor na área de direitos e políticas culturais, direitos autorais, cultura e tecnologia, gestão cultural e políticas públicas.  A mediação do debate será encaminhada por Antonio Carlos Pedro Ferreira, coordenador do Núcleo de Ação Cultural.

 

Por Antonio Carlos Pedro

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Neste ano a VI edição do Seminário Universidade, Cultura e Sociedade , aconteceu junto à  8ª edição da Cátedra de integração Latinoamericana e Caribenha, promovida pela Associação de Universidades da América Latina e o Caribe para a Integração  AUALCPI, neste ano aborda a temática Integração e Desenvolvimento Sustentável. A cultura exerce um papel preponderante nesta questão.  A CULTURA é fundamental para a compreensão dos valores e desenvolvimento de um grupo social, uma comunidade, enfim de uma nação; é fruto do esforço coletivo pelo aprimoramento de valores espirituais e materiais, em síntese, é o conjunto de fenômenos materiais e ideológicos que caracterizam um grupo étnico ou uma nação (língua, costumes, rituais, culinária, vestuário, expressões artísticas, manifestações religiosas, etc.), em permanente processo de mudança.

Falar em multiculturalismo ou Interculturalidade é reconhecer a diversidade constitutiva das sociedades modernas. Não que elas tenham se constituído como plurais dos anos sessenta aos dias atuais, ao contrário, elas se constituíram historicamente plurais, possivelmente desde o momento em que os povos vão se humanizando, ou em outras palavras, desde o momento em que constroem o mundo, rompem com o estado de natureza e passam a criar e a recriar as condições matérias de sua própria existência.
No caso da America Latina e até mesmo da América do norte, a formação da identidade e da cultura se dá de forma plural. No caso da América Latina, tanto portugueses como espanhóis necessitavam da mão-de-obra de índios e negros originários das várias regiões do Continente Africano. E, como decorrência desse processo, verificamos uma enorme mestiçagem ou como é denominado modernamente, um planetário de culturas hibridas.
Falamos anteriormente na década de sessenta, esse período é significativo por três razões básicas: a primeira é relativa ao movimento dos negros nos Estados Unidos da América, eles vão marcar a sociedade pela exigência do reconhecimento dos direitos civis de toda pessoa humana, isso colocará para o Estado a urgência de discutir e elaborar, mesmo que a contra gosto, políticas públicas inclusivas, ou seja, obrigava ao Estado a reconhecer a diversidade de culturas existentes na mesma sociedade.
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Essas diferenças foram jogadas para baixo do tapete, em virtude das políticas anteriores serem exclusivamente voltadas para as elites, no caso da América Latina, as assim denominadas elites criollas, – em outras palavras os grandes proprietários de terra ou aos filhos destes que podiam acessar a as universidades européias, em sua grande maioria brancos e descendentes de europeus ou mestiços reconhecidos por seus pais – que ao se apoderarem do aparato do Estado colocaram a serviço dos seus ideais e interesses.
Trecho do texto publicado originalmente nos anais do III Seminário de Educação – III SED, por José Joaci Barbosa e Cristovão Teixeira Abrantes da Fundação Universidade Federal de Rondônia – UNIRCristovão Teixeira Abrantes

 

O Caribe é a região onde se dá o começo da América e sua colonização. É onde ocorre a primeira revolução de independência através da luta de escravos negros do Haiti, como também a emblemática Revolução Cubana. Na verdade, penso que conhecemos pouco dessa América. Em nosso imaginário para além de Cuba, Fidel Castro e Che Guevara, já transformado em produto multicultural – trato dessa questão mais adiante – sonhamos com as belas imagens dos resorts em praias paradisíacas, o reggae da Jamaica, enfim, muito pouco sabemos de Martinica, Guadalupe, Trinidad e Tobago, ilhas que ainda hoje são consideradas departamentos ultramarinos de potencias colonizadoras, ou no caso de Porto Rico “Estado – Livre – Associado ao EUA” e com toda carga que isso possa representar para um povo enquanto Estado – Nação.  A princípio o império espanhol, mas não só a Espanha, também a França, Reino Unido, Holanda, e Alemanha dominaram porções de terras nesta região. O Caribe foi disputado entre dois impérios. O primeiro a tradição espanhola, já mencionado neste texto, em seguida a dominação norte americana a partir de 1898, quando a Espanha perde o domínio de Cuba e Porto Rico para os Estados Unidos da América. Em troca de implantações de bases navais, os Estados Unidos da América, fecha os olhos e permite a instalação de ditaduras sanguinárias, como a de Rafael Trujillo na República Dominicana que perdurou de 1930 até 1961. A Revolução Cubana representou a possibilidade de oferecer ao povo e ao mundo uma certa visibilidade do Caribe, fazendo frente à dominação capitalista e militarista americana da Guerra Fria. Estes fatos contribuíram também para fragmentação política, lingüística e cultural dos povos dessa região.  O caribe é um região rica em diversidade por excelência, multilinguística e multirracial, com a presença do francês, o creole, o inglês, o papiamento, antes mesmo das línguas espanhola e portuguesa. Em relação inversa, o Brasil se torna mais conhecido também, através da literatura, cinema, esportes e , para determinados setores da esquerda a música de Caetano Veloso, Maria Bethânia, Chico Buarque, Paulo Freire em projetos político – educacionais. Para o intelectual porto-riquenho Arcadio Díaz-Quiñones, professor na Universidade de Princeton, que esteve recentemente no Brasil, e numa entrevista ao “Nexo Jornal” destacou as relações de proximidade e estranhamento entre o Brasil, a América Hispânica e as Ilhas do Caribe. Comentou também que apesar dessa influência do país, não se estuda o Brasil como se estuda a Espanha e a língua espanhola, ou como se estuda o Chile ou a Argentina. Há de fato um preconceito institucional de língua espanhola. O que fica é um conhecimento superficial, claro, sobejamente admirado pela criatividade, pelo samba, carnaval e futebol, e mais recentemente ao noticiário político ligados ao golpe parlamentar midiático sofrido pelo país.

Em respeito ao tema tratado neste encontro Integração e Desenvolvimento Sustentável,  ao sul da América do Sul, antes mesmo do Tratado de Tordesilhas, essa linha imaginária dividindo o continente em dois impérios, de um lado os espanhóis e do outro os portugueses, o caminho do Peabiru foi a mais importante via transcontinental da América do Sul pré – colombiana. Caminho indígena com tronco e ramais , formando uma rede de aproximadamente 3 mil Km de extensão, que começava (ou terminava) no Brasil em dois pontos: litoral de Santa Catarina e litoral de São Paulo. Cruzava o Brasil cortando os Estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul, alcançava o Paraguai, a Bolívia e o Peru, ligando o Atlântico ao Pacífico. Ao alcançar os Andes bolivianos, o caminho se transformava em estrada inca, geralmente pavimentada com pedras, seguindo em direção a Cuzco, e depois se dirigindo ao litoral do Peru. Há relatos de 1555 de Alvar Nuñes Cabeza de Vaca, narrando sua caminhada a partir da Ilha de Santa Catarina até Assunção utilizando o caminho feito pelos índios. O Caminho do Peabiru.

A lógica multicultural na sociedade de consumo é composta de um  totalitarismo das escolhas, pois  parte do pressuposto que todas as escolhas estão dadas e são possíveis dentro do próprio sistema, característica própria do neo-liberalismo, Estado mínimo e deus mercado.

 No neo-liberalismo as políticas públicas de cultura são sufocadas por propostas multiculturais. Elas trazem consigo de maneira oculta uma falsa universalidade, voltadas apenas para sociedade de consumo e multiplicação de seus mercados.  As manifestações culturais, são transformadas em produtos de relativa complexidade ou entretenimento descartável, com produção planejada ao crescimento econômico dos donos do capital.

A democracia, a tolerância, o respeito e a igualdade de direitos sustentados pelo multiculturalismo são meros discursos de propaganda que se sustentam efetivamente no ideal e na aparência do que é a sociedade de consumo. As relações são rasas, permeadas de preconceitos, segregações, fundamentalismos e intolerância. O multiculturalismo dialoga com o pensamento racionalista do pós modernismo e reflete a ideologia neoliberal em suas nuances materialistas voltadas somente à lógica econômica. 

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O movimento multicultural é uma invenção contemporânea, vem na esteira do pós-moderno-industrial, que se traduz na vitória do capital sobre a força de trabalho, deslocando a sociedade e a política de identidade para cultura no terreno das contradições, e oposições coexistentes.

 A crítica cultural não pode ser separada da crítica social.

Segundo Slavoj Zizek  a ideologia hoje, mais do que nunca é parte da nossa vida cotidiana. Conhecido como polemista e figura midiática, o filósofo eslavo afirma que esta cansado da cultura pop, e cada vez mais se vê como filósofo pouco convencional, de ideias ousadas e quase contraditórias. Vejamos: A industria cultural induz o sujeito ao reconhecimento de seu pertencimento a um grupo, e isso se dá por meio de propagandas que passam associar as marcas a uma lista de produtos culturais, comportamentos, opiniões, emoções, enfim, um estilo, transformados em “hedonismo estetizado” (ZIZEK, 1997/2005).

Desse modo entendemos o multiculturalismo como ideologia do capitalismo global de países colonizados sem país colonizador, nos quais as populações se tornam nativas. Se em sua origem histórica o multiculturalismo propôs uma resistência aos nacionalismos, questionamos se ele hoje não estaria levando, paradoxalmente, a uma purificação dos nacionalismos enquanto afirmação de identidades primordiais, sendo cada vez mais esvaziadas de suas relações com princípios universais e transformadas em segunda natureza.

Vivemos tempos obscuros permeados de elementos fascistas justamente nos efeitos propostos pelos ideais do multiculturalismo. Com a formalização crescente do Estado -Nação – por força do capital globalizado e das relações de produção pós-fordistas – e a uma crescente transformação em universalidade abstrata, os indivíduos estão sendo jogados à busca da reafirmação, de identidades imediatas, orgânicas e espontâneas, amparados pela ficção hegemônica de uma intolerância multicultural, que não se sustentada no respeito e na proteção dados pelos direitos humanos, com ações e atitudes não ético-universal.

De fato o conceito multicultural não é em si mesmo cultural. Entendemos que as culturas, merecem consideração e respeito, devem se reconhecer pelas suas diferenças e diversidade, no entanto, pelo viés do multiculturalismo ela não é colocada nessa equivalência. Para Zizek (ibid.) esse lugar é um “ponto vazio da universalidade”, vai se revelando assim um “racismo esvaziado desprovido de conteúdo positivo” (p. 33) afirmando uma superioridade irascível. Certamente, estas considerações nos remete, e de certa forma carecem de, mais reflexão, mas não é de todo sem sentido,  pensarmos que a propaganda e seus administradores de “valores” se assemelha a esse apontado por Zizek.

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Por outro lado o peso das propagandas destacando as culturas dos lugares, acaba por pasteurizar diferenças e peculiaridades, acabam em certa medida forçando a barra nos princípios de regulação consensual e comunicativa, e as conseqüências são – a redução das diferenças à lógica do target na sociedade de consumo –, por fim acabam pasteurizando as raízes culturais, e na perda das mesmas: considerando que as culturas se revelam enquanto elementos distintos entre si, isto é, um em relação ao outro, por onde se fundamenta os princípios de alteridade com referências a si mesmas enquanto sentido, conteúdo e tradição.

Ainda perseguindo o pensamento de Zizek, podemos inferir que a problemática do multiculturalismo, qual seja, a coexistência híbrida de diversos mundos das vidas culturais – que hoje se impõe é a forma de aparecimento do seu oposto, da presença maciça do capitalismo como sistema mundial universal: nos deparamos com uma homogeneização sem precedentes no mundo contemporâneo. O horizonte da imaginação social não mais permite que alimentemos a idéia de que o capitalismo um dia desaparecerá – pois, como se poderia dizer, todos aceitam tacitamente que o capitalismo está aqui para ficar –, é como se a energia crítica tivesse encontrado uma saída substitutiva na luta pelas diferenças culturais que deixa intacta a homogeneidade básica do sistema mundial capitalista. (p. 35).

A Cultura vem sendo sistematicamente reduzida a processos simbólicos, com deslocamentos que exclui quaisquer possibilidades de convivência com o não – idêntico, e nessas entrelinhas o racismo “pós-moderno” contemporâneo é o sintoma do capitalismo enviesado no conceito multiculturalista, com a qual a política cultural deve lidar. A tolerância liberal não reconhece e não se vê  no outro. Tudo é fake, glamourizado, privado de substância, qualquer outro “real” é visto e denunciado imediatamente como “fundamentalista” O outro “real” fora dos padrões distintos, é reconhecido como violento, disfuncional

A ausência das diferenças , tratamos aqui do universo da cultura, mas não só, cabe a todo espectro da humanidade, tem revelado conseqüências fascistas, permeadas de “delírio” , paranóias peculiares da sociedade de consumo, estas associadas à administração da indústria multicultural, perversa e recheada de negatividade.

Como pensar e implementar uma Política Cultural que valorize uma sociedade multicultural regulada pela justa distribuição do direito à comunicação, aos fazeres e troca de saberes culturais compartilhados de maneira harmônica, com princípios e valores de alteridade, coexistência pacifica entre os seus particulares diversificados?  Este é um desafio que ora nos cabe a reflexão neste encontro.

O que é é mais do que é. Esse mais não lhe é atribuído, mas lhe permanece – enquanto aquilo que lhe é recalcado – imanente. Desse modo, o não-idêntico seria a identidade própria da coisa contra suas identificações. (ADORNO, 1985, apud DUARTE, 1993, p. 67).

Referencias:

– Entrevista: Onde fica (ou onde se esconde) o Caribe no imaginário latino-americano – entrevista com Arcadio Díaz-Quiñones, por João Paulo Charleaux – (Nexo Jornal 5 setembro 2016)

–  Conrado Ramos [1] Trabalho apresentado no V Simpósio Brasileiro de Psicologia Política, realizado na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP – Leste, em 2008.

Antecedentes do Seminário: Universidade, Cultura e Sociedade

 O  1º Seminário Universidade, Cultura e Sociedade marcou o lançamento do PONTÃO DE CULTURA – USCS AUDIOVISUAL E GESTÃO CUTURAL, contemplado por meio de edital público do Ministério da Cultura no ano de 2009. A partir deste primeiro seminário, a USCS se fortaleceu como espaço de produção de projetos de cultura e articulação com gestores públicos, produtores, agentes culturais e organizações do terceiro setor, firmando-se como importante centro regional e um dos principais da região metropolitana de São Paulo.                              

O Pontão USCS Audiovisual e Gestão Cultural foi embasado em três eixos de ação: formação, articulação, gestão cultural.  Na área de formação foram previstas oficinas de audiovisual, musica, produção cultural, design, cultura brasileira,  web rádio, hipertextos, tais como novos textos para novas mídias.  Na área de articulação foram previstos, encontros  semestrais dos pontos de cultura , mostras, exposições, palestras, workshops, conferências e a potencialização das atividades dos pontos focadas na economia criativa e solidária, por fim, no terceiro eixo: gestão cultural , foi desenhada a realização de oficinas de elaboração de novos projetos, acompanhamento e assessoria  técnico contábil para prestação de contas de projetos culturais, como realizar tomadas de preços para equipamentos e serviços, termos de referencia e cadastramento de projetos no SICONV e  boas práticas de administração.  Com todos os trâmites legais encaminhados, recurso empenhado no Ministério da Fazenda, Termo de Referencia cadastrado no Sistema Nacional de Convênios – SICONV, não foi possível a celebração do convênio com o Ministério.  Mesmo assim, a universidade continuou  apoiando a iniciativa e,  deste modo completamos 5 anos de atividades – menores do que havíamos planejado no plano de trabalho inicial – todavia, seguimos comprometidos com o espírito do Programa Cultura Viva. 

 Nas edições subseqüentes, o Seminário abordou temas do universo da Juventude e Cultura, Gestão Cultural e Cidadania, Leis de Incentivo à Cultura,  entre outros, sempre promovendo o encontro de estudiosos, especialistas e representantes do Estado e da Sociedade Civil.Nesse contexto o V Seminário Universidade, Cultura e Sociedade visa incentivar ainda mais a discussão e reflexão sobre o universo da Cultura com o tema Produção Cultural: Acesso e Circulação, propondo reflexões e ações baseado nas visões e ações complementares das instituições.  Nos últimos anos pôde-se notar incremento no acesso a produções culturais; este fenômeno é  reflexo não apenas de políticas culturais assertivas como o Programa Cultura Viva e o Programa Mais Cultura, como também das transformações mais amplas pelas quais a sociedade brasileira atravessa, quer do ponto de vista da disponibilização de informações pelos ambientes digitais quer como conseqüência da inclusão de importantes contingentes populacionais ao mercado de consumo de bens e serviços culturais. No entanto, o contexto desses processos se revela desafiador, diversas questões ainda permanecem candentes, como:

 

–     a concentração dos recursos públicos (via leis de incentivo) entre  empresas produtoras culturais que detêm expertise e estrutura organizacional localizadas principalmente na região Sudeste; e as desigualdades decorrentes desta concentração;

–     a atualização dos mecanismos de política pública existentes e a criação de novos instrumentos que possibilitem a transformação dessa realidade;

–     como lidar com a homogeneização cultural resultante de um sistema de  produção, distribuição e consumo de bens e serviços culturais atrelado à lógica da Indústria Cultural

–     por um lado a reflexão e produção de conhecimento, atividades  características do ambiente acadêmico que no âmbito da Extensão Universitária socializam saberes e experiências

–     por outro, a disseminação de práticas e modelos de programas voltados à  gestão cultural e suas articulações e interações com o desenvolvimento  sócio-   cultural.

 

      Público Alvo |         Gestores de Pontos de Cultura, produtores culturais, administradores e gestores públicos, Associações e Coletivos Culturais, Universidades, Organizações não                                      Governamentais, Agencias de Fomento e Desenvolvimento, Administrador de empresas, Marketing, Publicidade e Propaganda, Estudantes, e público em geral                                       interessados na temática.

      Local |                 Universidade Municipal São Caetano do Sul – USCS

                                 Campus Barcelona

                                 Av. Goiás , 3400

 

      Horário |            Das 9:00 às 18:00 hs

                                      Almoço

                                      Das 12:00 às 14:00hs

 

      Data |                  19 de Junho 2015

 

                Inscrições  |      a partir de 19 de Maio 2015 – lhttp://uscs.edu.br/sites/seminario/o-seminario.html  

http://wp.me/p1q9nF-4f

S E M I N Á R I O  ECONOMIA CRIATIVA e CURSO DE EXTENSÃO 

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 A quarta edição do Seminário UNIVERSIDADE CULTURA E SOCIEDADE propõe a discussão sobre     economia criativa, tema este, que vem sendo acolhido por vários países, como         uma etapa mais sofisticada do   sistema capitalista. As indústrias criativas são aquelas caracterizadas pelo valor agregado da cultura e da ciência & tecnologia na produção de seus bens e serviços. Ao mesmo tempo, destaca a participação da Universidade em atividades de natureza acadêmica, técnico – cientifica, e cultural,  e estimulo ao pensamento critico  da sociedade.

Os setores da Economia Criativa tem capacidade de produzir valores simbólicos, intangível que ampliam o sentimento de pertencimento da comunidade e garante maior         apropriação dos valores da       cultura local. As linguagens (audiovisual, literatura, música, artes visuais, moda, design, arquitetura, publicidade, entre outros) estão se tornando        cada vez mais importantes na constituição do Produto      Interno Bruto (PIB) dos países, crescendo mesmo em situações de crise.     

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CURSO DE EXTENSÃO – 3º MÓDULO

Gestão Cultural e Cidadania

As atividades culturais são produtivas e tem como processo principal um ato criativo, gerador de valor simbólico, que resulta em produção de riqueza cultural e econômica.

 Objetivo: compartilhar conhecimentos e habilidades para construção e difusão de conteúdos culturais; gerar habilidades e competências de natureza técnica para acesso as políticas públicas de cultura.

O curso propicia um olhar múltiplo e transdisciplinar que integra criatividade e técnica, atitudes e posturas empreendedoras, habilidades de comunicação, compreensão de dinâmicas socioculturais e de mercado, análise política e capacidade de articulação. Um panorama das dinâmicas culturais, sociais e econômicas, que envolvem desde o ciclo de criação, produção, distribuição, circulação, difusão, consumo e fruição de bens e serviços oriundos dos setores criativos. Aborda também Políticas Públicas de Cultura: editais de seleção pública de projetos, Leis de incentivo, Políticas Públicas de Cultura e Cidadania, Sistema Nacional de Cultura. Estudos de casos.

 Excelente oportunidade para entender o cenário cultural brasileiro, na medida em que serão abordadas as temáticas: economia criativa e gestão cultural enquanto vetor de cidadania e desenvolvimento de projetos de cultura.

 O mundo contemporâneo estabelece múltiplas vias de comunicação, e exige dos gestores um profundo conhecimento sobre as diversas atividades cada qual com suas nuances e peculiaridades. As atividades relacionadas à gestão cultural são cada vez mais vinculadas a procedimentos multidisciplinares e a necessidade inerente de se trabalhar em equipe, dada a complexidade dos atributos sem contar a necessidade de saber trilhar os caminhos burocráticos e administrativos. Estas questões muitas vezes acabam emperrando o desenvolvimento de projetos e de uma boa gestão cultural.  O curso é dividido em 09 encontros de 03 horas com aulas aos sábados, conta também com mais 3 horas atividades para apresentação de trabalho final.

 Período / datas 

1º Módulo: 22/3, 29/3, 5/4

2º Módulo: 12/4, 26/4, 10/5

3º Módulo: 17/5, 24/5, 31/5

Cada módulo contemplará um conjunto de conteúdos abaixo discriminado.

Conteúdo

 Políticas Públicas de Incentivo à Cultura

Leis de Incentivo à Cultura, Editais, Elaboração de Projetos, Plano de Trabalho, Cadastro Sistema Salic Web, SICONV, Prestação de Contas.

Sistema Nacional de Cultura

Plano Nacional de Cultura; Organização da Sociedade Civil, Conselho Municipal de Cultura; Experiência do Programa Cultura Viva – Pontos de Cultura. 

Teorias da Cultura e Políticas Culturais

Cultura (s) Brasileira (s) – uma visão plural das manifestações culturais; conceituação de cultura e processos culturais, a multiplicidade das manifestações culturais em nosso país.

Economia Criativa

Conceitos: Economia criativa; Indústria criativa, Processos de criação, produção e distribuição de produtos e serviços, capital intelectual, recursos produtivos.

Publico Alvo

Destinado a gestores culturais, servidores e funcionários públicos atuantes da área da Cultura ABCDMR, artistas, empreendedores e produtores, grupos e associações culturais da região do ABACBDMR, alunos e interessados em geral.

Local: USCS – Rua Santo Antonio 50 – Centro

Campus Centro

Período: de 22 de março a 31 de maio de  2014

Horário: das 09h00 às 12h15min – com intervalo de 15 ´

Carga horária 30 horas.

 Professores

 Prof.Paulo Moura - CópiaPaulo Celso Moura é bacharel em Composição e Regência pelo Instituto de Artes da UNESP onde concluiu o Mestrado em Artes / Música; lá também é doutor em Música, atuando de forma intensa como regente coral. Como professor universitário voltou-se à questão da Comunicação pela Voz, sendo responsável pelas disciplinas Teoria da Comunicação e Elementos da Linguagem Musical na USCS (Universidade Municipal de S. Caetano do Sul), além de ser o Coordenador da Comissão de Extensão. Na Faculdade Santa Marcelina é responsável pela disciplina Canto Coral e Técnica Vocal. Tem atuado no ambiente corporativo com atividades nas áreas de Comunicação, Liderança e Team Building em parceria com a MBA Empresarial, em importantes e destacadas empresas nacionais e multinacionais.   

 

 Foto_nice - CópiaAntonio Carlos Pedro Ferreira  cursou Artes Gráficas, Comunicação e Visual Merchandising, diretor de produção DRT/MTB 3543/SP, jornalista DRT/MTB 64333/SP. Nos diversos cargos em que ocupou, esteve sempre à frente de projetos voltados a cultura e a pesquisa. A experiência em projetos e ações continuadas, em Empresas, Órgãos Públicos e Entidades do Terceiro Setor, tornou-se um especialista em  projetos de cultura. Em Florianópolis criou o Núcleo de Design Gráfico do Centro Integrado de Cultura, coordenou exposições ; com Bruno Assami realiza a Bienal de Design Gráfico – ADG; Retrospectiva Lina Bo Bardi; Mostra Design Sul e Mostra SEBRAE de Design – LBDI, e SEBRAE. Foi 1º Secretário da Universidade Livre do Artesanato e Cultura Popular ‐ UNIART, Consultoria ao SEBRAE na área de Cultura, Turismo e Artesanato.  Em São Paulo, foi coordenador  do Ponto de Cultura Ética e Arte na Educação, recebe o Prêmio Asas da Secretaria de Cidadania Cultural do Ministério da Cultura;  presta assessoria técnica para criação do Núcleo de Gestão Cultural do Instituto Brasil Cidade,  Fábrica de Criatividade, Núcleos de Amigos da Terra – NATA,  Instituto Arte no Dique – Santos/SP,  vários grupos de musica , dentre eles,  A Barca e Quarteto Pererê, Projeto Jovens Urbanos – CENPEC/Fundação Itaú Social /IBRADESC, entre outros. Sócio diretor da Iddeia Pesquisa e Cultura Ltda. Gestão cultural, economia criativa, design social, comércio justo e solidário, empreendimentos culturais comunitários e desenvolvimento sustentável.

foto sergio Sergio de Azevedo é diretor, gestor, iluminador e professor de teatro. Mestrando em Pedagogia do Teatro no Departamento de Artes Cênicas da ECA-USP. Especialista em Gestão Cultural pela Universidade de Girona/Instituto Itau Cultural (2010). Graduado em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (2003). Integrante do Núcleo 3D da Cooperativa Paulista de Teatro. Gestor técnico-pedagógico do Programa de cidadania artística Viva Arte Viva, professor da Escola de Teatro e coordenador de projetos culturais da Fundação das Artes de São Caetano do Sul . Representante titular do Poder Público para o biênio 2011-2012 do Conselho Municipal de Política Cultural da cidade de São Caetano do Sul. Experiência em Teatro, com ênfase em Pedagogia do Teatro, atuando principalmente nas seguintes áreas: programas de ação cultural, direção cênica em processos colaborativos, investigação acadêmica, iluminação cênica e gestão em programas de formação artística e educação estética.

 

GESTÃO CULTURAL E CIDADANIA

 

3º Módulo Cultura Brasileira

Os verbetes foram retirados de:

Teixeira Coelho. Dicionário Crítico de Política Cultural. São Paulo: Iluminuras / Fapesp, 2004.

Exceto:

o verbete Descolecionamento, retirado de: Canclini, Néstor Garcia. Culturas Híbridas. São Paulo: EdUsp, 1997 (pp.302-305); já o verbete Fragmentação resulta em texto que fiz a partir de leituras desses dois autores.

Capital cultural

Num sentido estrito, capital cultural aponta para o conjunto dos instrumentos de apropriação dos bens simbólicos. Sob este aspecto, considerando-se a questão do ponto de vista do consumo cultural – um dos modos de apropriação dos bens simbólicos – a alfabetização integra o capital cultural ou capital simbólico de um indivíduo tanto quanto sua educação em geral e seu treinamento para apreciar a música, a pintura, o cinema ou qualquer outra modalidade cultural. Num sentido mais amplo, constituem o capital cultural de um indivíduo ou comunidade a soma de todos esses instrumentos que permitem o consumo e a produção dos bens simbólicos (bem como sua distribuição e troca) e o conjunto dos próprios bens simbólicos produzidos, como as coleções nas bibliotecas, pinacotecas, museus, galerias, cinematecas, videotecas, o assim por diante.

Culturas híbridas

Expressão que surge recentemente para designar o cenário cultural contemporâneo caracterizado não mais por níveis ou compartimentos estanques que separam a cultura erudita da popular e de massa, a científica da literária, a artesanal da industrial, a étnica arcaica da tecnológica de ponta, a indentitária da globalizada. A hibridização refere-se ao modo pelo qual modos culturais ou partes desses modos se separam de seus contextos de origem e se recombinam com outros modos ou partes de modos de outra origem, configurando, no processo, novas práticas. O fenômeno da hibridização é por vezes designado como de sincretismo ou mestiçagem. Se exemplos do modo cultural híbrido podem ser identificados com clareza (a produção musical dos Beatles; o casamento entre o cinema de Richard Lester e os próprios Beatles, nos filmes A Hard Day’s Night e Help!, nos anos 60, que marcaram o primeiro momento dessa hibridização em grande escala, com o traço de qualidade necessário para falar-se efetivamente numa cultura), não é certo que esse modo tenha se tornado uma constante ou uma tendência inevitável. O processo cultural não se manifesta na forma de uma linha progressiva; sua figura seria, antes, aquela fornecida por um sismógrafo, cheia de altos e baixos, de interrupções e retomadas. Assim, depois dos anos 60 fenômenos culturais compósitos continuam ocorrendo (a ópera Carmina Burana encenada em estádio de futebol, misto de circo e cultura erudita, como os espetáculos do Cirque du Soleil) – mas não de modo predominante e apontando, quase sempre, para uma combinação onde o popular (e, sobretudo o popularesco) sobressai.

Descolecionamento

A formação de coleções especializadas de arte culta e folclore foi na Europa moderna, e mais tarde na América Latina, um dispositivo para organizar os bens simbólicos em grupos separados e hierarquizados. Aos que eram cultos pertenciam certo tipo de quadros, de músicas e de livros, mesmo que não os tivessem , mesmo que fosse mediante o acesso a museus, salas de concerto e bibliotecas. Conhecer sua organização já era uma forma de possuí-los, que sitinguia daqueles que não sabiam relacionar-se com ela. A história da arte e da literatura formou-se com base nas coleções que os museus e as bibliotecas  alojavam. De outro lado, havia um repertório do folclore, dos objetos de povos ou classes que tinham outros costumes e por isso outras coleções. O folclore nasceu do colecionismo, foi se formando quando os colecionadores e folcloristas pesquisavam e preservavam as vasilhas usadas nas refeições, os vestidos e as máscaras com que se dançava nos rituais e os reunia em seguida nos museus.

            A agonia das coleções é o sintoma mais claro de como se desvanecem as classificações que distinguiam o culto do popular e ambos do massivo. As culturas já não se agrupam em grupos fixos e estáveis e portanto desaparece a possibilidade de ser culto conhecendo o repertório das “grandes” obras, ou ser popular porque se domina o sentido dos objetos e mensagens produzidos por uma comunidade mais ou menos fechada. Agora essas coleções renovam sua composição e hierarquia com as modas, entrecruzem-se o tempo todo, e, ainda por cima, cada usuário pode fazer sua própria coleção. As tecnologias de reprodução permitem a cada um montar em casa um repertório que combina o culto com o popular, multiplicando as possibilidades de acesso mas ao mesmo tempo enfraquecendo as referências que por tanto tempo se mantiveram pelas tradições. 

Desterritorialização cultural

No estágio atual da indústria cultural, no interior do processo de globalização cada vez mais intensa de todo tipo de troca, modos culturais se separam de seus territórios de origem, eventualmente despem todo traço distintivo ligado a um território particular, e investem outros territórios do qual se propõem como representações adequadas (ou que assim são consideradas). Nessa operação, se diz desterritorializado tanto o modo cultural que investe um território de aportação quanto o modo cultural original assim deslocado.

Espaço Cultural

A expressão “espaço cultural” é usada, de modo genérico, para designar qualquer lugar destinado à promoção da cultura e é sob este aspecto que se destaca, pela força sugestiva, seu caráter de contraposição às noções de território e territorialidade da cultura.

É a partir desta noção de território que se observa um outro uso para a expressão espaço cultural, da qual se vem lançando mão para designar a área de influência ou de presença de uma cultura ou modo cultural, independentemente de seu sítio de origem. Neste sentido é que se fala no espaço cultural do cinema americano ou da música popular brasileira, etc.; nestes casos, o território é um, menor, e o espaço cultural, outro, bem mais amplo. Novamente aqui, o conceito de espaço faz abstração de toda contextualização específica e particular.

Fragmentação

Processo pelo qual as coleções, referências e identidades perdem seu caráter unitário para assumir diversas formas, simultâneas. Com a crescente facilidade de transmissão de informações, dados e conteúdos culturais, nos alinhamos a diversos grupos, com interesses distintos e também distintos graus de aproximação. Com isso a noção tradicional de identidade (vide verbete abaixo) sofre também transformações – não nos vemos mais como um bloco único, com uma única característica; ao mesmo tempo nos reconhecemos em diversos grupos.

Por outro lado, a avalanche de informações que nos atinge tem também outra consequência: a noção da passagem do tempo se altera, pois temos que dar conta de mais e mais coisas no mesmo espaço de tempo. Assim, temos a tendência a nos aprofundar menos em tudo que fazemos: nosso objetivo é gastar o menor tempo possível para realizar o que quer que seja. Utilizamos blocos cada vez menores de informação para tentar entender o que nos chega, e assim temos uma visão apenas superficial e cada vez mais incompleta do mundo ao nosso redor

Identidade cultural

O conceito de identidade cultural, noção-chave em muitas políticas culturais, aponta para um sistema de representação (elementos de simbolização e procedimentos de encenação desses elementos) das relações entre os indivíduos e os grupos e entre estes e seu território de reprodução e produção, seu meio, seu espaço e seu tempo. No núcleo duro da identidade cultural – aquele que menos se desbasta através dos tempos, mesmo nas situações de distanciamento do território original – aparecem a tradição oral (língua, língua sagrada, língua sagrada secreta, narrativas, canções), a religião (mitos e ritos coletivos, de que são exemplos as peregrinações ou a absorção de drogas sagradas) e comportamentos coletivos formalizados. Como extensões desse núcleo duro, surgem os ritos profanos (carnaval, manifestações folclóricas diversas), comportamentos informalmente ritualizados (ir à praia, freqüentar espetáculos esportivos) e as diversas manifestações artísticas.

Nas últimas décadas essa noção tem se transformado em virtude das grandes mudanças sócio-culturais pelos quais a sociedade moderna tem passado: velocidades cada vez maiores de informação circulante permitem o acesso e a aproximação a manifestações culturais diversas e distintas; o consumo de bens simbólicos representativos não de nossa própria tradição mas de outras, completamente diferentes entre si. Dessa forma, as identidades tradicionais se fragmentam em outras, instáveis e mutantes.

Patrimônio cultural

“Patrimônio [cultural] é o conjunto de bens móveis e imóveis existentes no país cuja conservação seja de interesse público quer por sua vinculação a fatos memoráveis quer pelo seu excepcional valor arqueológico ou etnográfico, bibliográfico ou artístico.” Esta é a definição dada a patrimônio pelo Decreto-lei n. 25 promulgado durante o Estado Novo no Brasil.

A Carta do México em Defesa do Patrimônio Cultural apresenta o patrimônio cultural de um país como “o conjunto dos produtos artísticos, artesanais e técnicos, das expressões literárias, lingüísticas e musicais, dos usos e costumes de todos os povos e grupos étnicos, do passado e do presente”.

Território

Um dos determinantes essenciais da identidade cultural, ao lado da constituição e preservação de coleções. É no país, no estado, na cidade, no bairro, numa área no interior do bairro (como o quartier francês) que se põem em cena e se teatralizam as linhas básicas do roteiro da identidade. Aquilo que, sob o ângulo da política cultural, define o território como tal, e o distingue por exemplo do espaço cultural, é um efeito de mundo gerado pela inserção física direta, não mediada por uma representação elaborada, do indivíduo ou grupo nessa área física específica; em outras palavras, é o fato de ter o indivíduo nascido nessa área ou nela estar morando há algum tempo de modo a ter já estabelecido alguma convivência com a área e seus ocupantes. Esse efeito de mundo produz a sensação de uma relação natural com o território da qual decorre a identidade, mediante a elaboração lingüística, o comportamento cotidiano e as obras de cultura propriamente dita.

 

 

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Um comentário sobre “VIII SEMINÁRIO UNIVERSIDADE, CULTURA E SOCIEDADE

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