por Pedro

A Ilha de Florianópolis a partir dos anos 70 começa a sofrer um processo (des) civilizatório por meio da especulação imobiliária. Muito retratada nos versos do poeta Caetano Veloso ” Da força da grana que ergue e destrói coisas belas”. Para além da derrubada de edificações de traços açorianos, a derrubada de valores simbólicos da cultura seiscentista, lirica e  amável dos – manézinhos da ilha – como são reconhecidos seus pescadores e rendeiras de bilro, também o são os caçadores bruxólicos constante no universo da mitomagia. Mesmo assim, não são poucos que descobriram neste microcosmo um bom lugar para se viver e a partir deste lugar, dar sentido a vida e lutar contra o pastiche presente na sociedade de consumo que a cada ano invade a ilha. Nesta lendária luta da preservação dos traços e valores culturais genuínos da sociedade brasileira, formada por açorianos, índios, negros e portugueses, encontramos artista de grandeza maior, não somente pela sua obra, mas pelo que representa cada ser humano e o melhor  que traz em si: a alma batalhadora com visão antropológica buscando abrir frentes de luta e espaços de convivência entre seres humanos singelos e humildes, mas de uma riqueza estética estrondosa – o suficiente para nos mantermos vivos. Tal como dito pelo poeta Liminsky: “Menor que o meu sonho, não posso ser”.  Janga a frente da Casa Açoriana,  localizada em Santo Antonio de Lisboa é uma dessas figuras humanas, que nos ensina a riqueza da contemplação do belo através da simplicidade, estas,  presente nas manifestações culturais de um povo simples, singelo e amável, mas ainda desprezado pela cultura oficial do país. Poderia ter se tornado um Ponto de Cultura quando da existência do Programa Cultura Viva do Ministério da Cultura, quando a frente Gilberto Gil. Não foi contemplado em detrimento do Baiacu. Mas isso é outra história para outro post. Por enquanto o vídeo narrando a trajetória da Casa Açoriana Artes e Tramoias da Ilha, nos encanta e revela o quanto devemos estar atentos e fortes, e sem temer – nos dois sentidos – a morte.

 

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