Cunha mirou um alvo, acertou outro II

Nu_foto de Maurizio Bussani

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A Magda Maria Paiva – não  a conheço pessoalmente – escreveu um texto relatando sua decepção com o Supremo Tribunal Federal a começar pelo seu presidente. Na verdade ela discorre sobre a revolta evidentemente machista da ampla maioria dos parlamentares sobre a presidenta mulher.  O manejo da casa grande ainda prevalece no imaginário dos senhores nobres deputados, e não só deputados mas senadores, gestores, e parcela da sociedade – veja a deselegância de um deles se dirigindo a uma Ministra de Estado como namoradeira, é assim mesmo a liturgia do cargo?

 Também na famigerada onda do “Não vai ter Copa” assistimos cenas de horrores com uma leva de mal educados mandando a presidenta “tomar no cú”  inclusive de pais incentivando filhos e filhas crianças a praticarem a mesma indecência, prá dizer o mínimo. O machismo na sociedade brasileira vem desde lá detrás. Em casa meu pai não permitia que minha irmã caçula fosse ao encontro do namorado sozinha,  enquanto o irmão podia dormir com a namorada no quarto sem  problema. E porque a diferença!? Porque você é homem. Ela é mulher. E assunto encerrado.

 Essa conduta masculina  introjetada no caráter dos  políticos brasileiros é latente e pour quá pá de fato nojenta. O Poder propõe mulheres – amantes , festinhas e orgias, tudo pelo social. P.Ex. em Bauru interior de São Paulo a dona da casa que prestava serviços a elite política, virou nome de rua na cidade.  Na época do ditador Figueiredo, era reservado alguns andares do Hotel e a festa rolava solta nas boates do baixo Augusta, sim na esquina da Caio Prado. Quero dizer, é só seguir a linha da história e vamos encontrar Jackeline que virou Onassis, o senhor Mitterrand, Fernando Henrique Cardoso, Renan Calheiros e mais uma par deles estacionados ali na Câmara Federal tratando  suas amantes com cavalheirismo, mas sempre como mulher de uso próprio para o descanso e relax, com conforto e presentes, sem maiores compromissos.

 Claro alguns pontos fora da curva, e alguns filhos que chegam de maneira improvisada, inoportuna – aos olhos do homem – pois para as mulheres a maternidade é de outra ordem e magnitude. Esses cavalheiros são contra o aborto,  defendem a instituição família,  não se preocupam com o número de mulheres que morrem em clínicas clandestinas, pelo mesmo aborto que sugerem as suas amantes, não reconhecem a questão do aborto como saúde pública, e no fim são todos cínicos, hipócritas e usam as mulheres com todo respeito e cavalheirismo com tanto que elas respeitem a família oficial dele.

estupro

Imagem: Thinkstock

 Por outro lado os evangélicos. Com o crescimento dos fieis que se espalham periferia afora, jovens são chamados as escolas do senhor para aprender o manejo dos textos sagrados do antigo testamento. Uma verdadeira lavagem cerebral com destino certo. Quem for bem avaliado, poderá em futuro próximo ser destacado para um templo e ali pregar a palavra do senhor e conforme a eloqüência da palavra e desempenho da coleta, poderão almejar outros templos mais rentáveis já que ganham porcentagem sobre a arrecadação da igreja. Essa história começa lá atrás com quem? Com Eduardo Cunha, Silas Malafaia, e Edir Macedo, entre outros de menor calibre, mas tão nocivos quanto. Transformaram as igrejas num negócio altamente rentável e construíram um império, agora a serviço das candidaturas nas câmaras municipais, estaduais e federal.

 São pessoas despreparadas que não sabem o que estão fazendo ali. Cooptados para obra do senhor destilaram ódio e rancor contra uma mulher, “pastores” que  ensinam  sexo anal as meninas de 15, 16, 17 anos para se manterem virgens ao senhor.  As cenas dantesca do ultimo domingo nos revelam  facetas desses homens, clamando o nome do Senhor, esposa, filhos, netos, mãezinhas, sem nenhum preparo intelectual – ético e moral para representar na casa do o povo, a nação.

 O que assistimos foi um culto desbragadamente farsesco,  onde pastores clamavam a glória ao senhor pelo sim. sim.sim. “Que Deus tenha misericórdia desta nação”  foi o voto emblemático desta farsa. A câmara, os deputados tem por obrigação constitucional defender os cidadãos independentemente de credo, religião, cor, sexo, etnias, e opções sexuais. Não foi o que assistimos neste dia memorável, triste, estarrecedor, mas sobretudo memorável, pois agora sabemos de fato do que se trata o baixo clero e quem os comanda.

  Estava em jogo ali, a farsa da direita querendo na marra o impedimento da Presidenta,  orquestrada inicialmente pelo playboy Aécio, e junto o jogo pelo poder perdido nas eleições. A raiva escancarada contra a Presidenta, eleita pelo voto direto, ainda mais sendo uma mulher como a primeira Presidenta do país, é insuportável para estes machistas cavalheiros descrito acima no texto. Mulher é para ser amante ou seguidora fiel da igreja. A ela compete seguir o marido e a palavra do Senhor proferida pelo pastor, mesmo que este continue bulinando suas filhas.  

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A policia ainda investiga a ligação do pastor com crimes de homícidio, associação ao tráfico e lavagem de dinheiro

 A demonstração de horror, e ódio espumando da boca desses senhores, me leva a refletir: se fazem isso com a instituição Presidenta, dentro da casa do povo, sem nenhum pudor, o que há de acontecer com as mulheres menos favorecidas e e/ou menos esclarecidas Brasil afora. Estamos vivendo um caos de preconceito, e carentes de uma justiça imparcial que coloque um freio nesta balbúrdia. Não é possível a casa do povo a Câmara Federal ser transformada num antro sagrado repleto de bandidagem sem que os freios e contrapesos previstos na constituição de um ESTADO LAICO continue de olhos fechados frente a essa barbárie.  Se todos devemos respeitar a Lei, é necessário que também os guardiões da Lei  – os juízes – se submetam a essas mesmas leis. Com a palavra os juízes do STF. Como é possível assistir ao vivo  as regras civilizatórias conquistadas a duras penas por toda a sociedade, ser vilipendiada na cara de todos, sem que ninguém de direito e de fato, coloque uma diretriz de ordem e esperança para nós – sociedade?  Que país é esse onde  assistimos  um sujeito réu no STF estuprando a todos nós, destilando ódio e cinismo dissimulado, preconceitos, ignorância e discriminação, sem que algo seja feito de fato. Passamos do limite da tolerância. E isso não é nada bom. Uma sociedade intolerante caminha a passos largos para o fascismo. E nele já estamos convivendo e pedindo socorro, um grito parado na garganta. Não dá mais prá segurar Explode Coração. Lendo uma entrevista do Ministro Barroso, no blog cidadania, no final do texto segue o link prá quem quiser ler o post original, ele diz textualmente:

 Eu acho que aqui nós vamos definir se nós somos um país preparado para ser uma grande nação ou se vamos ser uma republiqueta que aceita qualquer solução improvisada para se livrar de um problema

A “solução improvisada”, claro, é o impeachment sob qualquer desculpas e sob um rito sumário, apurado, absolutamente ilegal, construído às pressas para obter um resultado que viola a constituição, a democracia e o Estado de Direito.

Nós temos que resolver os problemas dentro dos quadros da normalidade constitucional, respeitando as instituições e tendo em conta que o timing político é diferente do time institucional

Mais claro impossível. Barroso está dizendo que não é porque conjunturalmente há um quadro de baixa aprovação do desempenho da presidente que se vai jogar fora a normalidade institucional.

O que nós devemos é preservar as instituições. Tudo passa, mas se nós abalarmos as instituições, passa mais lentamente e de maneira mais difícil

Para finalizar, o ministro avisa que esses arreganhos golpistas podem aprofundar a crise em vez de resolvê-la.

Como se tudo isso não bastasse, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, disse, no mesmo dia e no mesmo evento, que não tem “nenhuma preocupação em relação às instituições republicanas” do Brasil.

O presidente do STF foi ainda mais longe. Também mandou seu recado:

Tenho a convicção absoluta de que temos instituições fortes e o Supremo Tribunal Federal, sobretudo, está vigilante para que a Constituição seja integralmente cumprida. Nós temos uma excelente Constituição, que está vigorando há quase 30 anos

Sobre o recurso do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, ao STF, contra a liminar que a Corte deu recentemente contra o golpe, Lewandowski disse que “não há conflito nenhum” entre os Poderes – recurso de Cunha afirma que liminar anti golpe seria “interferência do STF no Legislativo”

O mais importante da fala de Lewandowski, porém, é ter dito que o STF está “vigilante” para que “A Constituição seja integralmente cumprida”. Ou seja, as espertezas de Eduardo Cunha e  de Aécio Neves não passarão.

Querem derrubar Dilma? Terão que cumprir todos os ritos constitucionais. A começar por arranjarem um motivo plausível – que, a despeito do que dizem os fascistas, até o momento não existe.

Quem viver verá. Devemos continuar atentos e solidários uns aos outros.

http://www.blogdacidadania.com.br/2015/10/stf-manda-recado-a-golpistas-nao-somos-republiqueta-estamos-vigilantes/

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