Uma conversa com Jimmy Page e Robert Plant / Led Zeppelin

O VITALÍCIO LED ZEPPELIN

Uma conversa com Jimmy Page e Robert Plant

Por Cameron Crowe, 13 de março de 1975.

Tradução | Eder Capobianco Antimidia

John Paul Jones, baixista e tecladista do Led Zeppelin, estava quieto, jogando gamão e meio que escutando um talk show da New York FMcom um fone de ouvido.

 “Eu fui num clube na noite passada, e quando alguém me perguntou se eu queria encontrar oJimmy Page,” o apresentador do programa repentinamente conta sobre a proposta. “Sabe como é, quando eu penso sobre isso, não existe ninguém que eu queira encontrar menos que o nojento do Jimmy Page.”

 Jones parou com o jogo. “Deixe-me apenas dizer uma coisa sobre o Led Slime*, eles não podem tocar em lugar nenhum por aqui daquele jeito, e se você esta pensando em ir ver eles amanhã no Garden, esses capangas estão batendo suas carteiras. Agora, não me faça perder o meu tempo defendendo o Led Slime*. Se você está pensando em falar sobre isso enfie a cabeça na privada e aperte a descarga.”

(*Led Slime: Gíria depreciativa que neste contexto significa um trocadilho com o nome da banda, Led Zeppelin, por um substantivo que os coloca como mercenários e arrogantes.)

Jones, normalmente um homem quieto e reservado, atravessou o quarto furiosamente a passos largos. Ele tirou o telefone do gancho e ligou para a rádio. Depois de esperar um pouco, o apresentador do talk show atendeu o telefone.

“Sobre o que você gostaria de falar?”

Led Zeppelin,” Jones respondeu friamente com seu acentuado sotaque britânico. A linha ficou muda. Vítima do botão de oito segundos de delay, o troco nunca foi para o ar.

Esta era uma batalha familiar, do ponto de vista de Jones. Embora o Led Zeppelin tivesse vendido mais de um milhão de cópias, de cada um de todos os seus cinco álbuns, e estar trabalhando atualmente em uma turnê pelos EUA que se espera ser a de maior bilheteria da história do Rock, a banda tem sido continuamente bicudada, esculhambada, esmurrada e chutada no saco pelos críticos de todas as tendências. “Eu sei que é desnecessário dar o troco”, disse Jones. É verdade: Os Zeps tem uma esmagadora popularidade que fala por si. “Eu só pensei que ia me defender uma última vez.”

Na noite depois da defesa abortada, do primeiro dos três concertos no Madison Square Garden, o Led Zeppelin deixou o público boquiaberto, de pé, num dos shows mais requintados dos seus seis anos de carreira. Em um inesperado impulso de solos de Page, a banda mandou uma improvisação deslumbrante de vinte minutos que mostrou a força da turnê, “Dozed and Confused”. A tensão da incerteza do sucesso era evidente, e um elemento elétrico na performance do Zeppelin esta noite. “Não há dúvidas sobre isso”, disse o entusiasmado vocalista Robert Plant, antes de voltar para o palco para a segunda parte de “Communication Breakdown,” “a turnê começou.”

Já havia se passado muito tempo desde a última excursão Rock’n Roll do Zeppelin. Depois de 18 meses elaborando seu novo álbum duplo, Physical Graffiti, a banda tinha algumas explicações a dar. “É um pena ser sem ninguém de lá”, Plant disse. “Mas nós temos que sentir o nosso caminho. Há muita energia aqui nesta turnê. Muito mais que na última.” A noite de abertura oficial da excursão, em 28 de janeiro noMinneapolis Sport Center, fui surpreendentemente bem considerando as circunstâncias. Apenas uma semana antes Jimmy Page quebrou a ponta de seu dedo anelar esquerdo quando prendeu ele na porta do trem. Com só um ensaio para aperfeiçoar o que Page chamou de “técnica de três dedos e meio”, os sons clássicos do Zeppelin, “Dazed and Confused” e “Since I’ve Been Loving You” foram cortados. Comprimidos de codeína e Jack Daniels amorteceram a dor o suficiente para Page lutar com a banda por três horas no palco.

Peter Grant, empresário do Led Zeppelin e presidente da Swan Song, a gravadora do grupo, achou as primeiras apresentações esquisitas: “Um concerto do Led Zeppelin sem ‘Dozed and Confused‘ é uma coisa que vou ter que me acostumar. Em muitas apresentações esta música foi a melhor. Há um ponto na música onde Page pode viajar e fazer o que ele quiser fazer. Tem sempre a incerteza se isso terá cinco ou 35 minutos de duração.”

Page reagiu a lesão com um desespero silencioso. “Não tenho dúvidas de que a turnê vai ser muito boa, é isso, droga, estou desapontado por não poder ser tudo que sou.” Ele começou a bater com o punho na palma da sua mão. “Eu sempre quero fazer o meu melhor e é frustrante quando alguma coisa me impede. Você pode apostar que ‘Dazed and Confused‘ vai voltar para o set list no segundo que eu estiver habilitado a tocar ela. Nós podemos não ser brilhantes em algumas noites, mas sempre seremos bons.”

A turnê progrediu satisfatoriamente nas três noites no Chicago Stadium, e nas visitas à Cleveland eIndianapolis, até Plant pegar uma gripe. Um show em St. Louis foi adiado até o meio de fevereiro e enquanto Plant se recuperava a banda voou para Los Angeles para um dia de folga.

O descanso provocou uma mudança para segunda marcha nos concerto subsequentes, em Greensboro,Detroit e Pittsburgh, melhorando progressivamente, levando o Zeppelin até a vitória na tumultuada Nova York, e a primeira versão de “Dozed and Confused” da turnê. Neste meio tempo houve pouco do quarto-de-hotel-selvagem-lascado-com-fogo como o Zeppelin é conhecido. “Não teve muito de quarto”, disse o baterista John (Bonzo) Bonham um pouco triste. “A música foi nossa maior preocupação.”

Foi em 1968 que Jimmy Page juntou todos da banda que vieram a se tornar Led Zeppelin. O nome foi sugerido pelo baterista do Who, Keith Moon, e embebido de uma forte ironia que não precisa ser comentada. Primeiro Page se aproximou de Robert Plant, que era vocalista de uma estridente banda deBirmingham chamada Band of Joy. “A voz dele,” disse Page, “estava pronta para ser descoberta. Tudo que eu tive que fazer foi achar um baixista e um baterista.”

O problema foi fácil. Plant sugeriu Bonham, baterista do Band of Joy. O baixista John Paul Jones foi o último a entrar. “Eu respondi um classificado que estava na Melody Maker,” ele disse. “Minha esposa me obrigou.” Jones faz a cozinha e é o homem improviso. Ele criou muitos arranjos para o disco do Stones,Their Satanic Majesties Request. Além de fazer frequentemente arranjos para o produtor Mickey Most. “Toquei com Jeff Beck, Lulu, Donovan e Herman Hermits.”

Todos os quatro membros usam a palavra “mágica” quando se recordam do primeiro ensaio do Zeppelin. “Nunca fiquei tão ligado na minha vida,” disse Plant. “Embora nós tivéssemos um pé no blues e no R&B, achamos nossa identidade na primeira hora e meia juntos.”

Robert Plant, agora com 26 anos, cresceu em Black Country, onde a revolução industrial inglesa começou. Ele diz que viveu “uma infância protegida” e que começou a curtir com Buddy Guy, Blind Lemon Jefferson e Woody Guthrie quase ao mesmo tempo que iniciou na escola. Entrando e saindo de grupos como o Delta Blues Band, o Crawling King Snakes e o Band of Joy, Plant começou a ficar conhecido localmente como “o cara do blues selvagem de Black Country.” Ele encontrou Page em 1968, pouco antes da formação do Led Zeppelin.

Page e eu eramos íntimos desde antes da turnê.” Disse Plant depois do concerto em Nova York. “Nós quase nos tornamos um só em muitos momentos.”

Jimmy Page, agora com 31 anos, cresceu em Felton, uma comunidade deprimente perto do aeroportoHeathrow em Londres. Filho único, ele não tinha com quem brincar até começar na escola com cinco anos de idade. “Foi um isolamento prematuro”, diz Page, “isso provavelmente colaborou de algum jeito para eu sair fora. Um solitário. Um monte de gente não consegue sair por si próprio. Eles tem medo. O isolamento não me incomoda. Isso me dá sensação de segurança.”

Page começou a tocar guitarra com 12 anos. “Alguém descolou uma guitarra espanhola para nós….uma muito velha. Provavelmente não conseguiria tocar nela agora se tentasse. Ela ficou jogada perto do meu quarto por semanas e semanas. Eu não tinha interesse. Então eu escutei um par de gravações que realmente me deixaram ligado, as principais foram Elvis’s Baby, Let’s Play House, e eu queria tocar elas. Queria saber o que era tudo aquilo. Uns outros caras na escola me mostraram uns poucos acordes e eu simplesmente parti dali.”

Depois de alguns anos rotulado como um dos melhores guitarristas da Inglaterra (ele tocou “You Really Got Me” com os Kinks, “Here Comes the Night” e “Gloria” com Van Morrison, “I Can’t Explain” com o Whoe muitos hits com Burt Bacharach, entre outros), Page se juntou com o Yardbirds de Jeff Beck como segundo guitarrista. Beck saiu da banda pouco depois e Page foi deixado sozinho nos holofotes por um tempo. Quando os Yardbirds finalmente sucumbiram Page estava livre para formar o Led Zeppelin.

As conversas a seguir se deram com Page e Plant por um período de duas semanas. Nós começamos com um chá na suíte de Plant no Ambassador Hotel em Chicago. O papo continuou três dias depois no sombrio quarto de Page. “Ainda é de manhã”, ele tremia, coberto por um cobertor sentado no sofá. “Talvez tenhamos que conversar por umas três horas antes de eu começar a fazer sentido.” A entrevista, do qual a maior parte desta matéria é feita, durou até o fim da tarde. Page, um homem de fala calma, aparentemente preferia velas à luz elétrica.

Uma visita a Plant alguns dias depois proveu mais material, e um encontro final com Page durante o vôo para Nova York supriu o resto dos detalhes.

Há quem diga que o roteiro de Quase Famosos (Almost Famous, 2000), escrito e dirigido por Camoron Crowe, foi baseado, em grande parte, nesta matéria que o próprio Crowe escreveu para a Rolling Stones em 1975. (Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Almost_Famous)

Até a última turnê do Led Zeppelin no Estados Unidos em 1973 a mídia ainda não tinha reconhecido a popularidade da banda.

Plant: Decidimos contratar uma empresa de publicidade pela primeira vez após passarmos por aqui no verão de 72. Esse foi o mesmo verão que o Stonesexcursionaram, e sabíamos muito bem que estávamos conseguindo mais negócios que eles. Nós estávamos abrindo mais portas em comparação ao monte de pessoas que eram constantemente glorificadas na imprensa. Então, sem ser muito egocêntrico, nós pensamos que seria melhor se as pessoas escutassem alguma coisa de nós que não fosse que ficávamos comendo as mulheres e jogando os osso pela janela. Aquila coisa era loucura, e as pessoas sabiam tudo sobre nós só no boca-a-boca. Todos estes momentos de loucuras foram legais, mas não somos nem nunca fomos monstros. Apenas garotos curtindo a vida, amado por seus fãs e odiados pelos críticos.

Você sente alguma competição com os Stones?

Page: Agora não vejo desta forma. Não sinto nenhuma competição apesar de tudo. Os Stones são grandes e sempre vão ser. As músicas do Jagger são simplesmente incríveis. Eles acertam na mosca toda vez. Quero dizer que sei que, supostamente, somos o maior grupo do mundo e tudo mais, mas não penso sobre isso. Não sinto nenhuma competição entre nós. Isso é sobre quem faz uma música melhor e quem não faz….e sobre quem consegue se manter lá.

O que motiva vocês até este momento?

Page: Amo tocar. Queria só fazer isso, gostaria que fosse uma utopia. Mas não é. Tem aviões, quartos de hotel, limousines e guardas armados vigiando fora dos quartos. Não sei todas as partes sobre isso. Mas se este é o preço para sair por aí e tocar, eu vou pagar. Fiquei muito inquieto nos últimos dezoito meses enquanto estivemos reclusos trabalhando no álbum.

Plant: É um conflito constante, realmente, dentro de mim. Por mais que eu realmente curta o que faço em casa….jogar no meu pequeno time de futebol, ser parte da comunidade, e viver a vida como um cara comum, sempre me vejo melancólico e envolto num sentimento de que realmente não posso abandonar meu canto. Sinto falta da banda quando não estamos tocando. Tenho que ligar pro Jimmy ou alguma coisa assim para apaziguar esta inquietação. Na outra noite, quando tocamos pela primeira vez novamente, percebi um sorriso enorme em minha boca.

E sobre os rumores de seu álbum solo, Jimmy?

Page: Isso é coisa do senso de humor do Keith Richards. Seria possível que fosse o próximo lado-B dosStones. Foi o Rick Grech, Kaith e eu fazendo uma apresentação chamada “Scarlat”. Não lembro o baterista. Soou muito similar ao estilo e clima da faixa Blonde on Blonde. Foi legal, realmente bom. Nós ficamos lá a noite toda e saímos para o Island Studios onde Keith colocou algumas guitarras de reggae num trecho. Só adicionei alguns solos, mas era oito da manhã do dia seguinte quando fiz isso. Ele levou as fitas para Suíça e alguém descobriu sobre elas. Keith disse para as pessoas que era uma faixa do meu álbum.

Não poderia fazer um álbum solo, nem ninguém desta banda poderia. A química é tanta que não há ninguém, no fundo, que se sinta tão frustrado a ponto de fazer seu próprio LP. Realmente não gosto de fazer como o Townshend e dizer a todo mundo exatamente o que devem fazer. Não gosto muito disso. Um grupo é um grupo, não é?

Você conseguiu continuar impávido no meio de tantas críticas – especialmente nos primeiros dias do Zeppelin. Quanto você acredita em si mesmo?

Page: Talvez eu não acredite em mim, mas acredito no que eu posso fazer. Sei aonde estou indo musicalmente. Posso ver meu padrão, e que estou indo muito mais lento do que pensei que iria. Posso dizer o quão longe eu poderia ir, sei como chegar lá, tudo que preciso fazer é seguir tocando. Isso pode soar meio estranho, porque tudo que John McLaughlins faz parece que ele esta em outro lugar, ou alguma coisa assim. Talvez seja a tartaruga e a lebre.

Não sou um guitarrista que vai muito longe tecnicamente, eu só corro atrás e toco. Técnica não vem assim. Eu lido com emoções. O lado harmônico é o importante. Este é o lado que espero ir mais longe do que estou agora. Isso significa dizer que tenho que continuar assim.

Existe uma riqueza muito grande de arte e estilo no âmbito do instrumento….flamenco, jazz, Rock,blues….você nomeia isso, esta lá. Nos primeiros dias meu sonho era fundir todos estes estilos. Agora compor tornou-se simplesmente importante. Lado a lado com isso, penso que é hora de viajar, começar a reunir algumas coisas direto da realidade, vivendo experiências com músicos de rua pelo mundo. Músicos marroquinos, músicos indianos….pode ser uma boa hora para sair por aí agora. Este ano. Não sei como cada um esta encarando isso, mas este é a direção que estou indo agora. Esta semana sou um cigano. Talvez na semana que vem eu seja um roqueiro farofa.

O que você gostaria de ver novamente nestas viagens?

Page: Você esta brincando? Deus, você sabe o que pode ganhar quando senta com um marroquino. Como pessoa e como músico. É assim que você cresce. Não vivendo assim. Fazendo pedido de serviço de quarto num hotel. Este é o oposto do fim da escala. O balanço esta exatamente em equilibrar o oposto. Ao ponto onde talvez eu tenha um instrumento e nada mais. Eu costumava viajar assim há um tempo atrás. Não há razões para não fazer isso novamente. Sempre tem a coisa do tempo. Você não pode comprar tempo. Tudo, para mim, parece como uma corrida contra o tempo. Especialmente musicalmente. Sei até aonde quero ir e não tenho muito tempo para chegar lá. Tinha uma outra ideia, pegar um vagão médico, pular nele, e viajar pela Inglaterra. Isso pode parecer loucura para você, mas o interior é tão rural que você pode fazer isso. Basta mudar de um lado para o outro, e tocar com amplificadores e mixers, e isso tudo pode ser temporário, ou permanente o quanto eu quiser que seja. Gosto de mudar e gosto de contraste. Não gosto de ficar preso a uma situação, dia a dia. Domesticidade e tudo isso realmente não é para mim. Ficar neste hotel por uma semana não é nenhum piquenique. É quando a febre da estrada começa a esquentar e a ruptora começa, mas ainda não cheguei neste estágio. Tenho sido muito maduro até agora. Lembre-se, nós estamos em turnê só há uma semana.

Quão bem você se lembra da sua primeira turnê norte-americana?

Plant: Tinha dezenove anos e nunca tinha beijado ninguém, lembro bem disso. Foi há muito tempo. Agora estamos mais para ficar em nossos quartos, lendo Nietzsche. Tivemos boa diversão, você sabe, é só que naqueles dias tinha mais pessoas para ter boa diversão do que tem agora. Os States eram muito mais divertido. L. A. era L. A. Não é L. A. agora. L. A. esta infestada de pirralhos de 12 anos, não é a L. A. que realmente afundei.

Este foi o primeiro ponto onde aportei na América: a primeira vez que vi um policial com uma arma, a primeira vez que vi um carro de 20 pés. Tinha muita diversão e amor com as pessoas que se cruzavam. As pessoas estavam genuinamente nos acolhendo e estávamos começando um caminho de curtição positivo. Atirando ovos em todos os andares, batalhas bobas de água e toda diversão legal que um garoto de 19 anos deve ter. Eram só os primeiros passos para aprender como ser louco. Nós encontramos muitas pessoas que ainda conhecemos e muitas pessoas que desapareceram. Algumas overdoses. Muitas delas apenas cresceram. Não vejo o ponto que elas cresceram.

Você parece sinceramente deprimido com este assunto.

Plant: Bem, estou. Não perdi minha inocência interior. Estou sempre pronto para fingir que não tenho. Sim, é uma pena de qualquer forma. E é uma pena ver as jovens garotas jogando a vida fora, como uma enxurrada voraz para competir com o ‘como era antes’, os bons tempos e as relações com as GTOs* e uma galera assim. Quando se entrava na bolha eles nós davam o melhor que tinham e nós dávamos o melhor que tínhamos. É uma pena, realmente. Se você escutar “Sick Again”, uma faixa do Physical Graffiti, a letra mostra como me sinto um pouco mal por eles. “Clutching pages from your teenage dream in the lobby of the Hotel Paradise / Through the circus of the L.A. queen how fast you learn the downhill slide.”** Em um minuto ela tem 12 e no próximo minuto ela tem 13 e vai indo, vai indo. Eles não tem o estilo que tinha nos velhos tempos…..de volta à 68.

(* GTOs: Uma banda de garotas de Los Angeles que tocava muito na região no final dos anos 60 e começo dos 70; Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/The_GTOs)

(** Trecho de Sick Again: “Agarrando páginas dos sonhos de sua adolescência no lobby do Hotel Paradise / Através do circo da rainha L.A. aprendendo o quão rápido se escorrega para decadência.”)

A última vez que estive em L.A. fiquei muito entediado. O tédio é horrível. O tédio é o começo de toda a destruição e todas as coisas que são negativas. Todos os lugares são determinados pelos personagem que estão lá. São só os personagens que estão lá. É só que os personagens que estão lá caíram na classificação direto para o zero.

Claro, eu curti de tudo, mas como um grande bobo. É engraçado. Sinto saudades. Todo o clamor. Tudo aquilo. É tudo uma grande corrida. Dos buracos de merda para os hotéis chiques, tudo foi divertido. DoShadow-box Motel, onde as paredes desmoronaram durante noites sete anos atrás, até o Plaza, onde o procurador geral estava um andar acima reclamando de eu estar tocando as fitas do Little Feat muito alto a noite passada.

Você sente que esta alcançando o melhor de vocês a cada álbum?

Page: Não. Caso contrário eu teria sido totalmente destruído pelas críticas do nosso último álbum, não teria? Você vê? Este é o ponto. Simplesmente não importa. Não ligo para o que os críticos e outras pessoas pensam.

Até agora tenho sido muito, muito feliz porque parece que as pessoas gostam de escutar a música que gosto de tocar. O que mais poderia querer um músico? Mas ainda sigo mudando o tempo todo. Você não pode esperar ser a mesma pessoas que era a três anos atrás. Muitas pessoas criam expectativa sobre você, e não conseguem entender que o fato de um ano se passar entre os LPs significa um ano de mudanças para melhor. O material, consequentemente, é afetado por isso, as letras são afetadas por isso…a música também. Eu não sinto que estou no meu auge agora. Este álbum demorou um longo tempo principalmente porque quando nós íamos começar a gravar John Paul Jones não estava bem, e tivemos que cancelar por um tempo….tudo foi muito confuso. Levou três meses para resolver a situação.

Como é a sensação de ser o executivo de sua própria gravadora?

Page: Acho que somos nossos próprios manegers agora, não somos? Escute, nos de um tempo com oSwan Song. Você vai se surpreender. Temos bastante coisa boa alinhada. Penso que o LP dos Pretty Things é brilhante. Absolutamente brilhante. Nós somos executivos e toda esta baboseira, mas vou dizer a você uma coisa, a marca nunca foi – desdo início – gravações do Led Zeppelin. Ela foi projetada para trazer outros grupos e promover coisas que tiveram no mercado recentemente. É um veículo para eles, e não para nós, apenas fazer alguns centavos extras por fora. Essa é a maneira cínica de olhar para uma gravadora.

As pessoas me perguntam se vou estar envolvido com tudo que for produzido pela gravadora. Eu não sei. Sou muito envolvido com o Zeppelin. Eu ofereço uma chance – a longo prazo – de produzir Freeddie King, o que adoraria fazer. Mas preciso de tempo para trabalhar com isso.

Você sente que o mercado da música está em baixa de alguma forma?

Page: As pessoas sempre dizem que estão a procura Da Próxima Grande Coisa. Os únicos suspiros reais foram quando os Stones e os Beatles chegaram. Mas sempre dizem: “O mercado esta morrendo! O mercado esta morrendo!” Eu não acho. Existem muitos bons músico por aí com músicas boas para o mercado estar em baixa. São muitos estilos diferentes, e uma faceta esférica de 360º de música para se escutar. Do tribal a música clássica, esta tudo lá. Se o saco esta vazio assim, pelo amor de Deus, nos ajude.

Se nunca mais outra gravação for feita, já existe música suficiente gravada, e em cofres, em tantos lugares, para mim ser feliz eternamente. Então de novo, posso escutar todo tipo de música diferente. Realmente não me importo com A Próxima Coisa Grande. É interessante quando surge algo novo, uma banda de anões tocando harpa ou coisa assim, mas não estou procurando. Olhe para o Bad Company e oAverage White Band. Estes caras tiveram por aí de uma forma ou outra por muito tempo. Quanto dos novos lançamentos vem trazendo, realmente, alguma substância? Na Grã-Bretanha receio que não haja muitos. Temos que lidar com Suzi Quatro e lama. É absurdo. O top ten não deveria ser uma porcaria, mas é.

Quão difícil foi para o primeiro álbum do Led Zeppelin sair?

Page: Tudo aconteceu muito rápido. Foi um caminho muito curto depois que a banda foi formada. Nosso único ensaio foi umas duas semanas de turnê na Escandinávia, que fomos como os New Yardbirds. Para o material nós, obviamente, afundamos nas nossas raízes de blues. Eu ainda tinha uns riffs do Yardbirdsguardados. Naquele momento o Jeff [Beck] tinha saído, e isso chegou até mim com um monte de material novo. Era uma coisa pesada que o Clapton precedeu para o Yardbirds, que o Beck tinha tentado seguir, e era muito difícil para mim, de qualquer forma, porque o segundo guitarrista de repente virou o primeiro. Eu estava sobre pressão para criar meus próprios riffs. No primeiro LP eu ainda era fortemente influenciado pelos tempos antigos. Acho que conta um pouco também. O álbum foi feito em três semanas. Era óbvio que alguém tinha que assumir a liderança, de qualquer forma teríamos que sentar e esperar sem fazer nada por seis semanas. Mas depois disso, no segundo LP, você pode escutar a identidade real do grupo aparecendo.

Plant: Esse primeiro álbum foi a primeira vez que os fones de ouvidos não fizeram diferença para mim. O que eu escutava de retorno pelos canos enquanto cantava era melhor que qualquer garota da terra. Era muito pesado, muito cheio de poder, era devastador. Eu tinha que percorrer um longo caminho com a minha voz para alcançar eles, mas ao mesmo tempo o entusiasmo e a chama de trabalhar com as guitarras de Jimmy eram muito boas. Então foi tudo muito audacioso. Tudo estava se encaixando muito bem para nós. Nos estávamos aprendendo que a gente tinha que ir fundo para as pessoas irem fundo, e quanto mais a gente aprendia mais pessoas estavam de volta ao hotel depois do show.

Nós não fizemos dinheiro na nossa primeira turnê. Nada mesmo. Jimmy colocou cada centavo que ele ganhou com os Yardbirds, e não era muito. Até Peter Grant colocou algum, eles não tiveram o dinheiro que deveriam ter tido de volta. Então nós fizemos o álbum e saímos em turnê com uma equipe de apoio pequena.

Jimmy, você me disse uma vez que a vida era uma aposta. O que você quis dizer?

Page: Então, muitas pessoas tem medo de ter uma chance na vida, e existem tantas chances que você pode ter. Você não pode simplesmente se achar fazendo alguma coisa e não gostando daquela coisa. Se você esta trabalhando numa fábrica, e ficar chingando todo dia que faz aquilo, vai querer abandonar isso a todo custo. Você só vai ficar doente. Por causa disso digo que sou muito afortunado, porque amo o que faço. Vendo o rosto das pessoas, sair com elas por aí, me faz incrivelmente feliz. Genuinamente.

Quais apostas você fez?

Page: Vou de mostrar uma aposta. Eu estava em uma banda, não vou te falar o nome porque não é importante saber agora, mas a gente era um tipo de banda que estava por aí viajando de ônibus o tempo inteiro. Fiz isso por dois anos depois que sai da escola, ao ponto de estar ficando realmente bom naquilo. Mas eu estava ficando doente. Então voltei para a escola de arte. O que foi uma mudança total de direção. Por isso digo que é possível fazer. Como toda dedicação que tive tocando guitarra, sabia que fazendo desta maneira ia fazer isso para sempre. A cada duas semanas tenho febre gandular. Então pelos próximos 18 meses vivi com dez dólares pode semana e minha força começou a melhorar. Mas não parei de tocar.

Plant: Deixe-me dizer uma pequena história sobre a música “Ten Yers Gone”, do nosso novo álbum. Eu estava fazendo minhas merdas antes de me juntar ao Zeppelin. Uma dama que realmente amei disse: “Certo. Sou eu ou suas fãs.” Não que eu tivesse fãs, mas disse: “Não posso parar, tenho que continuar seguindo em frente.” Ela seguiu com seus dias contentes, imagino. Ela tem uma máquina de lavar roupas que funciona sozinha e um carro esporte pequeno. Nós não tínhamos nada para dizer mais. Provavelmente eu poderia me relacionar com ela, mas ela não poderia se relacionar comigo. Eu sorriria muito. Dez anos se passaram, e tenho medo. De qualquer forma, é uma aposta para você.

Page: Vou te dar outra. Eu estava no colégio é comecei uma sessão de trabalho. Acredite, muitos caras acreditam que este é o ápice – trabalhar num estúdio. Deixei tudo para entrar no Yardbirds por um terço do que ganhava porque queria tocar de novo. Não sentia que tocava o suficiente no estúdio. Tinha três ensaios por dia e estava me tornando o tipo de pessoa que odeio.

Qual o problema com um ensaio de trabalho?

Page: Alguns ensaios eram realmente um prazer fazer, mas o problema era que você nunca sabe o que vai fazer. Você talvez tenha escutado quando toquei na gravação do Burt Bacharach. É verdade. Nunca sabia o que estava fazendo. Você só fazia o que tinha que fazer em um estúdio particular das 14h as 17:30. As vezes era alguém que você ficava feliz em ver, outras vezes não. “O que estou fazendo aqui?”

Quando comecei a fazer estes ensaios os guitarristas estavam em voga. Estava tocando solos todos os dias. Então, depois, quanto a coisa no Stax estava rolando, e você tem a sensação de que a brasa esta queimando, eu acabava tocando quase nada, só uns poucos riffs aqui e ali….sem solos. E me lembro de uma ocasião em particular, quando fiquei sem tocar um solo, literalmente, um monte de meses. Então me pediram para tocar um solo, uma coisa Rock’n Roll. Toquei e senti que estava fazendo a pior merda. Fiquei tão revoltado comigo mesmo que pirei e tive que sair dali. Eu estava dando um passo a frente.

E como você vê seus dias com os YardBirds?

Page: Realmente tenho boas memórias. Tirando uma excursão que quase matou todos nós, era muito intenso – apesar disso, musicalmente era um grande grupo para tocar. Nunca me arrependi de nada que tenha feito. Muitos músicos queriam ter tido a chance de tocar naquela banda. Era particularmente bom quando Jeff e eu estávamos juntos tocando guitarra. Realmente poderia ter sido construído alguma coisa excepcional nesta época, mas, infelizmente, há poucas preciosidades registradas destes tempo. Tem só “Stroll On” para o filme “Blow-Up” – que é muito engraçada – e “ Happenings Ten Years Time Ago” e “Daisy”. Nós apenas não entramos muito em estúdio naquele tempo.

Obviamente, havia altos e baixos. Todo mundo queria saber sobre as rixas e conflitos de personalidade…não acho que tenha sido realmente ruim. Nunca foi ruim. Se for mostrado do jeito certo, talvez osYardbirds poderiam se reunir e lançar um álbum algum dia, seria uma coisa boa. De alguma forma não vejo Jeff fazendo isso, acho. Ele é um cara engraçado.

Você vive na casa de Aleister Crowley. [Crowley era um poeta e mago, ficou famoso na virada do século XIX e ganhou notoriedade por causa dos seus rituais de magia negra.]

Page: Sim, sou o proprietário da casa de Aleister Crowley. Mas tiveram mais dois ou três donos antes deCrowley se mudar para lá. Era também uma igreja que foi inteira queimada com toda congregação dentro. Esse é o local da casa. Coisas estranhas aconteceram nesta casa e não tinha nada a ver com Crowley. As vibrações ruins sempre estiveram lá. Um homem foi decapitado lá e algumas vezes você pode ouvir sua cabeça rolando. Nunca ouvi nada, mas um amigo meu, que é extremamente correto e não acredita em nada sobre estas coisas, ouviu. Ele pensou que eram gatos bagunçando. Eu não estava lá na hora, mas ele pediu ajuda, “porque você não deixa os gatos para fora a noite? Eles fizeram barulhos terríveis rolando pelo corredor.” E eu disse, “os gatos ficam trancados no quarto a noite toda.” Então disseram para ele a história da casa. Assim, estas coisas estavam lá antes de Crowley. Claro, depois de Crowley tiveram alguns suicídios lá, pessoas sendo internadas em hospícios….

E você teve contato com algum destes espíritos?

Page: Nunca disse isso. Apenas disse que nunca escutei a cabeça rolando.

O que te atrai na casa?

Page: O desconhecido. Sou atraído pelo desconhecido, mas tomo cuidado. Não vou atrás destas coisas cegamente.

Você se sente seguro na casa?

Plant: Sim. Bem, todas minhas casas são isoladas. Muito do tempo fico em casa sozinho. Passo muito tempo perto da água. A casa de Crowley fica em Loch Ness, Escócia. Tenho outra casa em Sussex, onde passo muito do meu tempo. É bem perto de Londres. Tem um fosso e um terraço que da para o lago. Quer dizer, poderia te dizer algumas coisas, mas isso poderia dar outra ideia as pessoas. Algumas coisas estranhas aconteceram com algumas pessoas, e fiquei surpreso como, na verdade, participei de tudo. Realmente não quero ir mais afundo sobre minhas experiências pessoais ou meu envolvimento com magia. Não estou tentando ser um Harrison ou Townshend. Não estou interessado em transformar qualquer coisa em alguém ou transformar qualquer coisa de volta…se as pessoas querem achar coisas, elas tem que procurar por elas mesmas. Acredito piamente nisso.

O que você achou do seu retrato no [livro ilustrado] Rock Dreams? Como um guitarrista mafioso ao lado de Alvin Lee, Jeff Beck, Pete Townshend e Eric Clapton?

Page: Não tem nada sobre o Zeppelin lá. O artista gastou muito tempo punhetando os Stones naquele livro, né? Os Stones como drag queen e coisas assim. Quando vi este livro pela primeira vez pensei, uau, isso é muito legal. Mas quando realmente comecei a olhar para aquilo, era uma coisa que eu simplesmente não queria parecer. As pessoas podem rir disso, mas não gosto de ver a figura de Ray Charles dirigindo seu carro por aí com uma garotinha nos seus braços. É sem sentido. Mas os caras são franceses, o que podemos fazer. Ray Charles é cego. Que tipo de humor é este? Ele pode ter os seusrock dreams, mas não são os meus.

Tirando todos os guitarristas que vieram nos anos sessenta, pensando em Beck, Clapton, Lee,Townshend, e ainda estou começando. Isso significa alguma coisa. Beck, Clapton e eu fomos um tipo de clã como Richmond / Croydon, e Alvin Lee, não sei de onde ele vem. Lester ou algum lugar assim. Ele nunca teve muito. E Townshend, Townshend era do Middlesex e costumava ir aos clubes assistir outros guitarristas. De qualquer jeito nunca tinha encontrado ele até “I Can’t Explain”. Eu fiz umas gravações de guitarra para esta música. Não vejo Townshend há anos. Mas suponho que nós todos estamos seguindo em frente e tentando fazer melhor, e melhor, e melhor. Escutei algumas coisas do LP solo do Beckrecentemente, é muito louco, brilhante. Realmente bom. Mas não sei, é tudo instrumental e é um LP de guitarra para guitarristas, eu acho. Ele é muito maduro, e quando Beck esta no seu melhor pode ser muito saboroso.

Você viu o Eric Clapton com sua nova banda?

Page: Oh, Eric. Puta que pariu, Eric. Sim, vi ele com sua nova banda e também num concerto doRainbow. Ao menos no Rainbow ele tinha algumas pessoas com culhões com ele. Ele teve Townshend,Ronnie Wood, Jimmy Karstein e [Jim] Capaldi. “Pearly Queen” ficou incrível. Acho que depois disso ele disse: “Certo, eu vou pegar músicos ingleses.” Desde que ele esteve com músicos americanos, ele tem caído mais e mais.

Fui aos bastidores ver ele depois da apresentação com o Rainbow e não era difícil perceber seu total desapontamento com Derek and the Dominoes, ele nunca foi realmente aceito. Deve ter sido uma grande coisa para ele não ter todos os elogios que o Cream teve. Mas a coisa é, quando a banda tem uma certa química, como o Cream tinha…wow, as chances de recriar isso novamente são de uma em um bilhão. É muito, muito difícil.

A chave para a longevidade do Zeppelin tem sido a mudança. Nós lançamos nosso primeiro LP; então o segundo não era nada igual ao primeiro, então o terceiro LP foi totalmente diferente deles, e vai indo assim. Sei porque nós temos um monte de críticas ruins dos nossos álbuns. Algumas pessoas não podem entender, um monte de críticos não podem entender porque nós soltamos um LP como o ZeppelinII, ele seguiram pensando isso do III com “That’s the Way” e as faixas acústicas. Eles simplesmente não conseguiram entender. O fato era que Robert e eu fomos para a casa de campo de Bron-Y-Aur no País de Gales e começamos a escrever canções. Jesus, que material nós tínhamos, então usamos ele. Não foi nada como, “nós temos que fazer um Rock’n Roll pesado porque é o que nossa imagem demanda…” Um álbum sensato, é normal levar um ano para as pessoas aceitarem o que estamos fazendo.

Porque vocês foram para a casa de campo em Bron-Y-Aur para o terceiro álbum?

Plant: Era hora de dar um passo para trás, fazer um balanço e não se perder. O Zeppelin estava começando a ficar grande e nós queríamos que o resto de nossa jornada continuasse num bom nível. Assim, a viagem pelas montanhas foi o começo de uma elevação de Page e Plant. Pensei que ia ser capaz de obter um pouco de paz e tranquilidade, e ter nossa própria californiana Marin County blues, que conseguimos fazer melhor no País de Gales que em São Francisco. Era um lugar legal. “The Golden Breast” era o significado do nome. O lugar era um pequeno vale, e o sol sempre se movia por ele. Tem uma música no novo álbum, uma pequena e acústica, que Jimmy fez lá. Era típica dos dias que costumávamos fazer barulho pelo interior com nossos Jeeps.

Foi uma boa ideia ir para lá. A gente tinha escrito o segundo álbum quase todo na estrada. Era um álbum de estrada. Não importa o que os críticos disseram, a prova de que estava bom é o tanto de pessoas que gostaram. O crítico da Rolling Stone, por exemplo, era um músico frustrado. Talvez eu só estivesse voando no meu próprio navio de ego, mas algumas vezes as pessoas se ressentem com o talento. Não me lembro que crítica foi, mas, o que estou me importando, é que foi bom, talvez um grandioso álbum de estrada. O terceiro álbum é o álbum dos álbuns. Se qualquer um quiser nos rotular como uma banda de metal pesada, este álbum destrói eles.

Mas também tem músicas acústicas no primeiro álbum.

Page: É isso mesmo! Aí esta. Quando o terceiro LP foi lançado e as críticas vieram, Crosby, Stills eNash tinham acabado de se juntar. O disco tinha acabado de sair e como tinha alguns violões e músicas acústicas todo mundo começou: O Led Zeppelin virou acústico! Pensei, Jesus, onde estão suas cabeças e ouvidos? Tem três músicas acústicas no primeiro álbum e duas no segundo.

Você falou dessa “corrida contra o tempo”, Jimmy. O que você pensa que vai ser com 40 anos?

Page: Não sei se vou chegar aos 40. Não sei se vou chegar nos 35. Não posso ter certeza disso. Estou sangrando seriamente. É muito, muito sério. Não achei que ia fazer 30.

Porque não?

Page: Eu tinha esse medo. Não é medo de morrer, mas só…espere um minuto, vamos fazer isso certo. Eu só sentia que…não ia chegar aos 30. Isso é tudo que sei. É alguma coisa em mim, alguma coisa inata. Passei os 30 agora, mas não esperava estar aqui. Não tinha pesadelos sobre isso, mas…não tenho medo da morte. Ela é o grande mistério de todos. Vai acontecer, com todos. Mas é tudo uma corrida contra o tempo. Você nunca sabe o que vai acontecer. Como quebrar o meu dedo. Poderia ter quebrado minha mão inteira e estar fora de ação por dois anos.

Você foi criticado por escrever letras sobre “crianças na tenra da idade”.

Plant: Como alguém pode saber qual a “tenra idade”? A essência de toda viagem foi o desejo por paz e tranquilidade, uma situação holística. Isso é tudo que alguém poderia querer com “crianças na tenra idade”? Se sim, então vou continuar sendo uma criança na tenra idade. Coloquei muito disso nas minhas letras. Nem todas as minhas coisas devem ser analisadas, no entanto. Pense em como “Black Dog” são flagrantes de como-podemos-transar-no-banheiro, mas eles fazem as coisas parecer exatamente as mesmas. Pessoas escutam. De outra forma você poderia simplesmente cantar o menu do Continental Hyatt House.

Quão importante foi “Stairway to Heaven” para você?

Page: Para mim “Stairway” cristaliza toda essência da banda. Tem de tudo lá e mostrou o melhor da banda…como banda, como unidade. Não estou falando dos solos ou coisas assim, esta tudo lá. Nós tivemos o cuidado de nunca lançar ela como um single. Foi um marco para nós. Todo músico quer fazer alguma coisa duradoura com qualidade, alguma coisa que você pode resistir por muito tempo, e acho que fizemos isso com “Stairway”. Townshend provavelmente pensou que fez isso com Tommy. Não sei se tenho habilidade para fazer isso de novo. Fiz muitas coisas difíceis depois dela e não cheguei nem perto deste estágio de consistência, totalmente brilhante.

Não acho que existem muitas pessoas capazes de fazer isso. Talvez uma. Joni Mitchell. Esta aí uma música que escuto em casa todo tempo, Joni Mitchell. Amo Court and Spark porque sempre tive esperança de que ela fosse trabalhar com uma banda. Mas a principal coisa sore Joni é que ela tem habilidade de ver que alguma coisa que esta acontecendo com ela, voltar, e cristalizar toda situação, escrever sobre isso. Ela coloca lágrimas no meus olhosm o que mais posso dizer? É assustadoramente sangrenta. Não posso falar muito sobre o que ela diz. “Now old friends are acting strange/They shake their heads/They say I’ve changed.”* Não sei dizer quanto de seus amigos antigos ela ainda tem. Gostaria de saber quantos amigos antigos qualquer músico ainda tem. Você ficaria surpreso. Ele pensam – particularmente sobre esta coisa de mudança – todos assumem que você mudou. Para a pior. Tenho poucas pessoas que posso chamar, realmente, de amigos íntimos. Elas são muito, muito preciosas para mim.

(*Trecho da música Both Sides, Now: “Agora velhos amigos estão agindo estranho / Eles giram suas cabeças / Eles dizem que mudei.”)

E quanto a você?

Plant: Vivo com as pessoas que sempre vivi. Estou completo. É como o resto dos meus velhos diasBeatnik. Todos meus velhos companheiros me dão muito de boa companhia. Eles não reagem mal as minhas viagens porque conheço eles há muito tempo. De vez em quando pode acontecer uma piada ocasional sobre alguém dever dois dólares para alguém desde 63, quando eu era um cantor de bluescolocando para foder, mas é bom. Estou feliz.

Você tem guitarristas americanos favoritos?

Page: Bem, vamos ver, nós perdemos o melhor guitarrista que já tivemos, e este era Hendrix. Outro guitarrista que estava indo fundo também morreu, Clarence White. Ele era absolutamente brilhante. Caramba. Ele tinha um estilo totalmente diferente – o controle, o cara que tocava no single Maria Muldaur, “Midnight at the Oasis”. Amos Garret. Sua Les Paul orientou Les Paul a fazê-las, realmente. Nós não seriamos nada se ele não tivesse inventado a guitarra elétrica. Outro bom é Elliot Randall, o cara que foi convidado do primeiro álbum do Steely Dan. Ele é ótimo. De qualquer forma, Little Feat é minha banda americana favorita.

O único termo que não vou aceitar é “gênio”. O termo “gênio” comumente é usado como clichê no Rock’n Roll. Quando você escuta as melodias e estruturas da música clássica juntas e compara isso com gravações de Rock’n Roll vê que existe um caminho dos infernos para o Rock’n Roll percorrer. Há um certo padrão na música clássica que permite a aplicação do termo “gênio”, mas você vai estar pisando em gelo fino se começar a aplicar eles ao Rock’n Roll. Da forma que vejo, Rock’n Roll é música popular. Música de rua. Não é ensinada na escola. Tem que ser tomada. Você não acha gênios entre músicos de rua, mas não significa dizer que eles não possam ser realmente bons. Você pode tirar muito de arte doRock’n Roll se se aprofundar nele. Ninguém pode ensinar isso para você. Você vai ter que fazer do seu próprio jeito, é o que acho fascinante nisso.

Última pergunta. O que você acha das filhas do presidente Ford dizerem em rede de televisão nacional que o Led Zeppelin é sua banda favorita?

Plant: Acho que realmente significa um acordo para não sermos convidados para um chá. Talvez Jerrypensou que ia destruir tudo. Mas, se tivéssemos um publicitário três turnês atrás, ela poderia estar na estrada com a gente agora. Gostei de saber que eles gostam da nossa música na Casa Branca. É bom saber que eles tem bom gosto.

Comentários finais?

Page: Só queria dizer que ainda estou procurando por um anjo com a uma asa quebrada. Não é fácil achar um nos dias de hoje. Especialmente quanto você esta hospedado no Plaza Hotel.

Texto original | http://www.rollingstone.com/music/news/the-durable-led-zeppelin-19750313#ixzz3dAyVqfkQ

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