A Formação Cultural Brasileira pela visão do estrangeiro


17052015 – História – A formação cultural brasileira entrecortada pela visão do estrangeiro. Esse é o escopo do texto transcrito neste post. A partir deste,  outros deverão circular neste espaço  com olhares e visão metaforicamente diversos, de modo a permitir nos ver as coisas  com os olhos livres, e dessa experiência, interagir com as linguagens e  a magnitude da diversidade cultural, assim como,  a dos elementos que a ela se compõe, a guisa do hibridismo na  formação do magma da cultura brasileira. O próximo post tratará da Produção Cultural: acesso e circulação. Tema do V Seminário Universidade, Cultura e Sociedade. Iniciativa do Núcleo de Ação Cultural da Universidade São Caetano do Sul – USCS, e  IDDEIA Cultura e Pesquisa.  

 

Decio soncini, ensolarado, 2010Ensolarado, 2011

Décio Soncini (Brasil, 1953)

acrílica sobre tela, 80 x 80 cm

Coleção Raul Forbes

http://www.soncini.com.br

Joinville: Colônia Dona Francisca, texto de James C. Fletcher

“A colônia Dona Francisca é um novo empreendimento, cuja origem pode ser exposta em poucas palavras. Em 1843 o Príncipe de Joinville casou-se com Dona Francisca, a irmã do Imperador do Brasil. Recebeu, então, como dote, grande extensão de terras cobertas de matas na província de Santa Catarina. Não faz muitos anos, numa das estações de água da Alemanha, o Príncipe encontrou-se com o Senador Schroeder, de Hamburgo, que lhe propôs um plano para valorizar o seu dote — isto é: conceder uma certa porção das terras para uma companhia, que nela fundaria uma colônia. O Príncipe concedeu nove léguas quadradas, reservando uma cera quantidade de acres para si próprio, nas melhores situações. A companhia se constituiu, e concordou em trazer uns mil e seiscentos colonos com um dado prazo de tempo. De março de 1851 a março de 1855, o número estipulado no contrato havia sido atingido. A maioria dos colonos eram alemães-suíços, embora franceses e alemães estivessem representados por considerável minoria. A vila de Joinville contém cerca de sessenta casas; nas regiões adjacentes há cento e vinte, e outras em construção. Deduzidas as mortes há aproximadamente mil e quinhentos habitantes nessa colônia; por outro lado, há um considerável número de franceses, e franceses-suíços, nas colônias adjacentes fundadas pelo Príncipe de Joinville em suas próprias terras. Dois terços da totalidade dos colonos são sem dúvida protestantes, e o outro terço é constituído por católicos.

Qual será o sucesso da colônia, esperemos para ver. (…)”

Kidder e Fletcher, publicação “O Brasil e os brasileiros“.

Em: Pinheirais e Marinhas, Paraná e Santa Catarina, coleção Histórias e Paisagens do Brasil, seleção de Ernani Silva Bruno, São Paulo, Cultrix: 1959, pp: 62-3

NOTA: James C. Fletcher esteve no Brasil entre os anos de 1851 e 1865, prosseguindo os trabalhos de propaganda do Protestantismo empreendidos vários anos antes por seu colega Daniel P. Kidder.

foto da capa: Hélio Oiticica (detalhe)

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