To Kitsch Or Not To Kitsch? Thats The Questions!

Diante da repercussão da crítica do Janga e do desdobramento da crítica da crítica da crítica publicada por mim no www.iddeiaculturaepesquisa.com ,  o debate se sobrepõe, sem contudo perder de vista a civilidade e a generosidade para com o outro – alteridade. Como não sou conhecido de vários colegas que postaram, sendo indagado  sobre com qual propriedade escrevia sobre o tema, e se vivo na Ilha de Florianópolis, resolvi escrever. Como Flavio Oliveira, uma das inúmeras postagens,  também sou profundo admirador do artista Janga. Nos tornamos amigos independentemente do tempo e espaço. No período em que morei na Ilha, pude conviver com a alma lúcida e generosa do artista e da pessoa humana que é.  Aprendi muito sobre o estado da arte, para além dos modismos, da fama e do sucesso midiático – o sentido de ver com os olhos livres. Mas não só isso. Não conheço Luciano Martins, acho até que deveria participar deste debate, quando escrevi a critica da critica,  foi fundamentado em experiências vivenciadas com Janga, artista plástico, crítico de arte, produtor cultural e cidadão, sempre antenado com a cultura verdadeira da Ilha de Santa Catarina. Neste espírito de fraternidade realizei com seu apoio a Bienal de Design Gráfico – ADG no Centro Integrado de Cultura, um imenso painel de linguagens diversificadas não apenas por estilo, mas também de meios de produção: o diálogo entre o processo digital e o analógico, em 1994 caminhávamos rumo a linguagem digital. A exposição ressaltou o papel social do design gráfico presente em projetos polêmicos sobre cultura e questões sociais tais como a AIDS, abordadas nos projetos de cartazes, mídia preferencial para divulgação nessas áreas. A exposição ocupou toda área do Centro Integrado de Cultura, depois a Retrospectiva de Lina Bo Bardi , a Mostra Design Sul Laboratório Brasileiro de Design Industrial – LBDI, desdobrada na Mostra Sebrae de Design,  a criação do Café Matisse – anexo ao CIC,  com suas Jam Sessions festivas, sem contar os jantares memoráveis no quintal da Casa Açoriana, regados a bom vinho e musica de qualidade. Celebrações que nos remetiam a Zorba, O Grego. Os risotos de camarão, elaborados por uma mineira adorável na ponta do Sambaqui de onde se avista o continente, nem se fale. 

  Lina_designerO  Núcleo de Design dentro das oficinas do CIC foram ricas e refletiram em trabalhos conjuntos com Eduardo Paredes que tocava o Núcleo de Cinema, criação da capa do primeiro CD Dazaranha ilustrada com uma obra do próprio Janga cedida a banda, enfim um período sensível permeado de discussões sobre arte – urbana, popular, erudita, contemporânea, design,  objetos, e os “Entertainment´s”  se auto declarando artistas plásticos. abaixo recorte do cartaz da Bienal Design Gráfico ADG. 

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                                                Café Matisse Logomarca                                                                                                                                                                            Dazaranha - Seja Bem Vindo                                                                    Não concordo com Flavio quando diz que Luciano é artista plástico, tem talento sim, , isso também não significa que não possua caráter e que não seja uma pessoa legal e agradável,  quiçá  um bom amigo. Não é disto que tratamos no debate,   pois estes valores não implicam necessariamente que a obra produzida seja arte, e nem sequer que a produção  dele não seja realizada com esmero e insight oportunista para mercantilizar os respectivos produtos, como o faz sob o formato de licenciamento.  

No final da mensagem Flávio escreve: “Também espero que Janga não caracterize Luciano por esta exposição, que como não fui convidado, nem posso julgar. Mas que se possível abra as asas de seu  imenso coração e receba Luciano, caso este deseje, como mais um a buscar conhecimento na fonte imensa de seu cérebro.” Desejo aos dois “Vida Longa e prospera”. 

–  Janga publica em sua página:

 A respeito da repercussão do texto que escrevi sobre o Kitsch, utilizando como mote a exposição de Luciano Martins, gostaria de acrescentar que o seu trabalho não é nem um pouco pior do que boa parte do que se vê por ai. Kitsch é todo tipo de arte feita para vender e que obedece, portanto, ao gosto médio. Em arte a venda é uma conseqüência, nunca um ponto de partida ou um objetivo final.

 

É preciso também deixar claro que o Kitsch é apenas o ‘pseudo’ (o que pretende se passar por outra coisa contraria a aquilo que ele de fato é), não deve ser confundido com o brega, o cafona, o trash. Pelo contrário, ele, em geral, é até bem bonitinho e sedutor. O problema maior é que ao nivelar tudo por esses parâmetros de consumo, estamos praticamente eliminando qualquer possibilidade de uma reflexão mais profunda, propiciada por obras que não se pautam pelos ditames de uma sociedade pouco disposta a se reconhecer no espelho que não a adula. Luciano Martins é um jovem sem dúvida criativo, que soube impor o seu nome a uma sociedade que se identifica com sua proposta. Resta saber se isto o satisfaz ou se ele pretende encarar desafios maiores ou simplesmente continuar agradando ao público, com a repetição de um fórmula que deu certo em termos comerciais, mas deixa desejar em termos artísticos.”  

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A influência da arte na formação do aluno

o embuste da arte

Já deixo claro que o sub título é uma provocação-convite a Prof. Dra. Vera Gaspar com proficiência em educação para jogar um raio de luz no debate, pois afora o gostar ou não gostar da exposição , a proposta de oferecer as crianças, jovens e adolescentes experiências com arte é válida, sobretudo necessária em qualquer lugar do planeta, tanto quanto na Ilha, mas oferecer imagens – cópias  de obras emblemáticas –  de artistas que foram comprometidos com o seu tempo,  estas por sua vez distorcidas e, muito pior, sem contextualizá-las ao tempo presente,  é temeroso, pois não permite à criança estabelecer um olhar crítico sobre a “obra de arte” representada, e nem tampouco sobre o tempo histórico que cerca a obra de arte, transformada em imagem copiada,  essa metodologia não educa e nem desperta o olhar crítico das crianças,  é mero apêndice de projeto assistencialista, isso se torna uma irresponsabilidade educacional.

Penso que a crítica de Ana Sabiá segue nesta direção, quando escreve sobre o gosto questionável dos chicletes com doritos tingidos  e retratados nos cartuns, e da tristeza de ver a gurizada uniformizada de mão dadas, sendo levadas para apreciar o passatempo. Infelizmente não absorvida pelos fãs que ficaram enfurecidos com o ponto de vista dela. No mesmo caminho o olhar de Micheline Barros, reflete sobre a trajetória do Luciano Martins: “Eu penso que Luciano Martins sensibiliza os olhos menos abastecidos do conhecimento artístico, ele faz um papel de iniciação. E fico imensamente grata ao João Otávio Neves Filho, por escrever de maneira competente sem perder seu estilo navalha, ou seja afiado, colocando cada coisa em seu lugar. Eu já realizei trabalhos de arte educação com o Luciano Martins, mas trabalhei questões isoladas, a Pop Art; e seus “Gatos”. Meu papel como educadora foi contextualizar as expressões de um artista que convive entre nós, vive de arte, sabe ser midiático e nisso ele tem a nos ensinar. Quanto ao seu trabalho artístico, Janga foi contundente. Na minha opinião Luciano Martins está na adolescência, assim como o público catarinense.”

Nas palavras do irmão, Luciano Martins é quase como um herói, referencia de pai, amigo, profissional, ser humano, e assim a definição em uma só palavra, com toda tela recheada de cores, ele o define com a palavra amor. Mais adiante do seu texto nos convoca a deixar a mania de eleger alguém do bem contra alguém do mal, e nos chama ao aprendizado de lidarmos com nosso próprio ego, pois a discussão sobre o que é arte ou não , tem séculos e a arte deve ir onde o povo está! Na verdade não estamos tratando dessas qualidades do Luciano e Fábio enquanto irmão, nem tampouco debochando ou tratando-os de forma pejorativa, ao contrário, discute-se a importância da arte na formação educacional de uma geração de crianças em idade escolar. Não me perdi, pelo menos procuro não me perder  nas frases feitas, prontas e acabadas do tipo: toda forma de expressão é arte, seja da maneira “tradicional” com A , como se referiu Janga, ou na forma lúdica e colorida do Luciano, e fora disso é puro recalque, como descrito no post da educadora Barbara Gasperin do Colégio Catarinense.  Leitura reducionista. , enfim, uma leitura. Com a palavra os educadores.

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