Déa Trancoso e o gosto de reverberar as belezas da música por aí

2015_musica_Dea Trancoso

Entrevista e fotos: Mercedes Cumaru

Mineira da cidade de Almenara, Déa Trancoso espalha o seu cantar profissionalmente há quase três décadas. Uma voz que flutua do suave e delicado ao forte, marcante, pontual. Com trabalho também autoral, Déa direciona a luz para as entranhas do Brasil, revelando preciosidades para o mundo e para os próprios brasileiros.

Além de se preparar para o show “Inteira no Olho do Furacão” que acontecerá em 20 de março, no SESC São Caetano, a cantora também divide seu tempo entre um ensaio e outro com o Grupo Quarteto Crescente.

Webjornal – Na chamada do show no Facebook, você deixou um aviso curioso sobre o repertório: “cantarei só aquelas canções que canto no chuveiro desde minha  adolescência”. Que riquezas sonoras o público poderá conferir nessa  apresentação?

Déa Trancoso – Os compositores nordestinos especialmente. Alceu, Belchior, Zé Ramalho. Mas também vai ter Björk, Kurt Weill…

W – Quais eram os ídolos musicais da Déa adolescente? Você já teve a oportunidade de dividir o público com algum deles?

DT – Esses aí de cima, por exemplo. Ainda não tive o imenso prazer de cantar junto, não.

2015_musica_Dea Trancoso 2W – O que você nos conta da experiência de estar “Inteira no Olho do Furacão” e porque a escolha desse nome para o show?

DT – Estou passando por um momento pessoal muitíssimo delicado. Essa imagem vem me acompanhando já há alguns meses. O furacão. Na periferia, você está se movimentando enlouquecida junto com ele, e tudo dói. No entanto, quando a gente consegue ir ao centro, ao olho, fica inteira, meditando, respirando equilibradamente, suavemente, aguardando o tempo passar e se vendo rodar como uma louca nas extremidades. É quase como se desdobrar em duas. Uma que existe, e está demandada pelos problemas e questões da encarnação, e outra que só contempla…

W – Quem são os músicos convidados?

DT – A escolha dos músicos tem a ver com uma vontade de apresentar essas canções que nunca cantei em público com uma instrumentação também diferente. Maurício Ribeiro me dirigiu no projeto “Elas de Minas” e eu gosto muito dele. Ele vem com a guitarra semi-acústica e o baixo. Paulim Sartori também conheci nas gravações do “Elas”. Ele é menino bacana demais. Vem com o baixo e talvez o bandolim.

W – Atualmente, quais são os sons que estão te encantando? Menções sobre a islandesa björk têm sido frequentes no seu perfil. Você é bem eclética?

DT – Atualmente, tenho ouvido muito Björk mesmo. Nunca tinha ouvido. E tenho 50 anos. Eu fico me perguntando: por quê? Por que nunca ouvi Björk? Ela me encanta. Não parece gente. Parece elfa, duende, encantada que veio fazer um trabalho muito específico no planeta. É muitíssimo preparada para realizar esse trabalho. Arranja como poucas, canta como poucas, compõe como poucas, atua como poucas. É meio única. O trabalho dela toca absurdamente meu coração, meu corpo, minha alma. É um reconhecimento de alma esse meu amor por ela.

W – Além da música, que outros elementos culturais têm merecido a sua atenção? 

DT – A palavra sempre. Ando envolvida com a possibilidade de lançar meu primeiro livro de pequenos relatos poéticos.

W – O Vale do Jequitinhonha, sua região natal, abriga uma valiosa riqueza cultural. Como foi para você respirar essa atmosfera desde criança? Como o Vale permeou a sua obra e como ainda te influencia?

DT – O Vale do Jequitinhonha é o DNA. Não morrer nunca.

W – Como estão as atividades do seu selo TUM TUM TUM Discos? O público pode esperar novidades em breve?

DT – Estou também envolvida com a concepção de um CD que tenha apenas a voz como guia. Vamos ver se o dinheiro vem.

W – Enquanto uns reclamam, você tem usado muito bem a internet como aliada na divulgação do seu trabalho. Frequentemente você disponibiliza faixas gratuitas para os fãs e até se surpreendeu com um episódio recente no Soundcloud.  Como foi isso?

DT – Como sou amiga da palavra e aprendi arduamente a usar com inteligência meu tempo, acho que as redes sociais, ainda subutilizadas pelos artistas, por exemplo, oferecem grandes oportunidades para consolidar e ampliar o alcance do trabalho. Eu me relaciono assim com as redes. Elas são uma sala onde recebo e converso com meus amigos, fãs do meu trabalho, interessados em contratar, comprar etc etc etc. Também utilizo as redes para escrever sobre o que me toca o coração. Um olhar sobre o trabalho dos meus colegas de ofício para refinar a energia e enriquecer o coletivo. Quando um companheiro de ofício consegue realizar algo bom é importante que isso seja acolhido e reverbere. É importante para ele e para mim. Quando um ganha todos ganham. Eu gosto de reverberar as belezas do ofício por aí. Acho salutar para o planeta.

W – Como tem sido essa interação com o fã nas diversas plataformas de mídia social? 

DT – Converso com todo mundo que me procura. Adoro. Desde uma conversa filosófica a uma contratação de serviço…

2015_musica_Dea Trancoso 1W – Quais iniciativas culturais têm chamado a sua atenção e de quais tem  participado?

DT – Estamos em plena Era de Aquário. Desse modo, os coletivos são muito bem-vindos e poderão nos salvar. Arreuní é um projeto belíssimo (foto: Déa Trancoso ao lado de João Bá, durante apresentação do Arreuní, em Campinas). Agora mesmo estou em um muito querido: Quarteto Crescente, que reúne eu, Pereira da Viola, Titane e Wilson Dias. Nossa estreia vai ser relendo a obra maior do cantador maior, Dércio Marques.

W – Para 2015, como estão seus planos como cantora e como compositora?

DT – Ter dinheiro para materializar a arte. Esse é meu plano. Espero que o céu me mande. Hehehehehe.

Serviço:

Déa Trancoso no show “Inteira no Olho do Furacão”

Data: 20 de março – às 20 horas

Local: SESC São Caetano (Rua Piauí, 554 – Bairro Santa Paula – São Caetano do Sul – SP)

Ingressos: de R$ 5,00 a R$ 17,00

Informações: (11) 4223-8800

2015_musica_Dea Trancoso - flyer

Para saber mais sobre Déa Trancoso

Site Oficial

Soundcloud

Youtube

Discografia:

“Tum Tum Tum”(TUM TUM TUM Discos – 2006/ Biscoito Fino – 2010) – recebeu quatro indicações ao Prêmio da Música Brasileira 2007

“Serendipity” (TUM TUM TUM Discos – 2011) – primeiro trabalho autoral traz também parcerias com Badi Assad, Chico César e Rogério Delayon e teve o show de lançamento em Pontevedra, na Espanha. A faixa valsa “Gismontiana 2” que é dedicada ao músico Egberto Gismonti, foi harmonizada e arranjada pelo violonista Juarez Moreira e ganhou posteriormente arranjo para piano do próprio Egberto Gismonti

“Déa Trancoso e Paulo BellinatiFlor do Jequiti” (TUM TUM TUM Discos – 2012) – os dois artistas criam e recriam símbolos da mítica região do Vale do Jequitinhonha.

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