UM OLHAR COSMOPOLITA SOBRE O VALE DO JEQUITINHONHA

UM OLHAR COSMOPOLITA SOBRE O VALE DO JEQUITINHONHA

por  Pedro Ferreira

A Universidade Municipal de São Caetano do Sul, tem referenciais sobre políticas públicas, seja por meio do Instituto de Pesquisa, Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC´s),  dissertações de mestrado, Núcleo de Ação Cultural que realiza o Seminário Universidade, Cultura e Sociedade, que propicia o  debate e a reflexão sobre políticas publicas de cultura  e, também, expedições de campo para conhecer “in loco”  regiões do país, suas características e diversidade cultural.

Uma dessas expedições, motivados pela Feira Cultural do Vale do Jequitinhonha realizada em São Caetano do Sul no ano de 1997, foi composta por alunos de diversos cursos da universidade e a viagem coordenada pelo prof. Joaquim Celso Freire. Um dos capítulos do livro publicado em parceria com a Alpharrabio Edições, trata desse olhar dos alunos sobre o Vale do Jequitinhonha.

Segundo historiador Thiago Freire, o Vale do Jequitinhonha pode ser tomado como representação aguda de algumas peculiaridades brasileiras: um contexto de grande carência material (com profundas raízes históricas) confrontado com a imensa riqueza humana e paisagística. Todavia, mais do que provocar contrastes – o que já se tem feito em demasia – é tempo de buscar a compreensão dessa região situada no nordeste do Estado de Minas Gerais como um todo complexo e composto a um tempo pela pobreza e pela variedade, pelo verde do cerrado e pelo amarelo-acinzentado da caatinga, pela casa de pau-a-pique e pela cidade histórica, pelas águas cristalinas e pelo rio lamacento e revolvido pela mineração, pelo assistencialismo pragmático como pela associatividade e a cooperação comunitárias; enfim, um espaço vivo e vivido, não isento de conflitos mas que se produz e se reproduz continuamente por meio deles e de sua equação através da marca maior do espaço público: o exercício da política e da cidadania.

De 27 de dezembro de 1997 a 15 de janeiro de 1998 e 28 de dezembro de 1998 a 13 de janeiro de 1999, coordenei duas viagens ao Vale do Jequitinhonha, acompanhando estudantes do IMES – USCS, cujo objetivo principal foi propiciar as estudantes conhecer “in loco” elementos da cultura e condições sócio-econômicas da região.  O projeto  intitulado Vivo-Vale Extensão, surgira a partir do interesse manifesto pela direção do IMES-USC e dos alunos em conhecer mais a região, motivados que foram pelo projeto Vivo-Vale, uma grande feira cultural do Vale do Jequitinhonha no ABC Paulista, realizada pelo próprio IMES-USCS e pelo SESC São Caetano do Sul no ano de 1997.

Nestas expedições – a primeira composta por vinte estudantes e a segunda por treze – visitamos doze cidades (Itaobi,, Pedra Azul, Ponto dos Volantes e o vilarejo de Santana do Araçuaí, Itinga, Araçuaí, Coronel Murta, Berilo, Chapada do Norte, Minas Novas, Turmalina, Diamantina e Serro) Em todas elas, o grupo teve a oportunidade de conhecer aspectos culturais, naturais e socioeconômicos da região pela observação, pelo diálogo e interação com os habitantes e autoridades locais.

A primeira viagem, de caráter mais exploratório e investigativo, apresentou o seguinte roteiro:

Itaobim – Primeira parada do grupo e base de apoio para visitar outras cidades próximas. O grupo dialogou com moradores, comerciantes, políticos e integrantes de grupos folclóricos. Visitou comunidades carentes, assistiu apresentações das Pastorinhas e conheceu o Museu de Arte e Cultura “Canjira”, catalogado pela USP no guia dos Museus Brasileiros.

Pedra Azul – Segunda cidade visitada. O grupo interagiu com a população e com comerciantes, conheceu o prefeito e membros da administração local, conheceu grupos de ” Boi de Janeiro” e outras apresentações típicas da região, efetuou caminhada ecológica à Pedra da Conceição e entrevistou o Padre Felice, coordenador de um projeto para formação educacional de jovens da região.

Itaobim

Pedra Azul

Pedra Azul, a vida passa sobre os eixos das carroças do lugar

Santana do Araçuaí – Neste vilarejo pertencente ao Município de Ponto dos Volantes, os estudantes dialogaram com os moradores e crianças e visitaram artesãos D. Izabel, Joao e Glória, famosos por suas bonecas de barro.

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Itinga – Na cidade de Itinga o grupo vivenciou a travessia do Rio Jequitinhonha sobre canoas, entrevistou o prefeito municipal ( Sr. Charles), o artesão e contador de histórias Ulisses, moradores e comerciantes. O grupo conheceu as tradicionais Folias de Reis, as praias fluviais do Rio Jequitinhonha, a prefeita Vânia Murta e visitou a aldeia indígena dos Pankaraús.

Itinga

Coronel Murta – Quinta cidade visitada, destaque para visita aos garimpos de extração de pedras semipreciosas, diálogo com garimpeiros, moradores e comerciantes. O grupo conheceu as tradicionais Folias de Reis, as praias fluviais do Rio Jequitinhonha, a prefeita Vânia Murta e visitou a aldeia indígena Pankaraús.

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Araçuaí – Em Araçuaí, o grupo entrevistou a prefeita Maria do Carmo Ferreira da Silva, mais conhecida pelo apelido de “Cacá” e os membros da Associação do Artesãos. Conheceu e interagiu com os Grupos de Folia de Reis e com os tradicionais corais da cidade. Visitou a Escola Agrotécnica e a antiga estação férrea da estrada Bahia – Minas.

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As escolas deveriam parecer um parque de diversões_ Tião Rocha criado do CPDC

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Lira_Marques_artesã_araçuaí

Berilo – Na sétima cidade visitada, o grupo contatou moradores e comerciantes, dialogou com o prefeito da cidade e conheceu o processo artesanal de tecelagem com a artesã Terezinha.Berilo

Chapada do Norte – O grupo dialogou com a população, políticos, conheceu o comércio logal e a história da formação da cidade.

Minas Novas – o grupo visitou o patrimônio histórico, dialogou com os moradores, com jovens e com comerciantes e entrevistou o prefeito municipal, Dr. Geraldo e o Sr. Adão, secretário municipal de cultura.

Minas novas

Turmalina – Na décima cidade visitada, o grupo entrevistou membros do secretariado municipal, visitou e conheceu a Vila de Artesãos do Campo Alegre e o Projeto Escola Família Agroindustrial.

Protesto com mineroduto em área de seca

Protesto contra mineroduto em área de seca

Diamantina – Penúltima estapa da viagem, em Diamantina o grupo pôde aprofundar o conhecimento sobre a história e arte barroca, através de um curso de 20 horas, oferecido pela Secretaria da Cultural local. Visitou o amplo patrimônio histórico-cultural da cidade e também natural. Realizou visitas de reconhecimento a antigas vilas e ao Quilombo do Váu, sempre na companhia do Sr. Erildo Nascimento, secretário municipal de cultura.

ouro-preto_O Caminho Novo que seguia direto para o Rio de Janeiro

Serro – A viagem ao Vale do Jequitinhonha encerra-se na cidade do Serro de onde, após conhecer o patrimônio histórico e dialogar com moradores e representantes da administração local, o grupo desloca-se para São Paulo.

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A seguir serão relatadas, em linhas gerais, as impressões dos estudantes, extraídas de seus relatórios de trabalho, onde registraram os resultados de suas observações, contatos e reflexões.

Thiago Freire, escreveu sobre os aspectos naturais, dizendo que essa região no nordeste de Minas Gerais causa fortes impressões a todo e qualquer visitante e a primeira delas é o calor: ” um calor que em alguns momentos é quase insuportável e um sol muito forte.” Entre Itaobim, Itinga, Araçuaí e Coronel Murta, a vegetação é uma mistura de caatinga e cerrado, predominando a vegetação arbustiva. A terra é comumente seca e amarelada. ” Sem água a paisagem fica amarelada e acinzentada, basta uma chuva para tudo verdejar. O fato é que não há muita chuva, ou melhor, tudo o que chove num ano costuma ser na mesma época, entre os meses de novembro e março, aproximadamente.

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Conforme se sobre o Vale em direção a Diamantina, percebe-se o abrandamento do clima e a homogeneização da paisagem na forma mais tipicamente de cerrado. Há, é claro, algumas distorções bastantes cruéis nessa paisagem, como enormes plantações de eucalipto na região de Turmalina, que representam uma violência ao homem e ao meio. Entra-se, então, numa região denominada campo-rupreste, que cruza o Vale, se estendendo depois até a Bahia, muito rochosa e de vegetação arbustiva. Próximo às rochas – predominam as gramíneas. É a região de Diamantina e Serro. Há,  também, muitas rochas nas microrregiões do médio e baixo Jequitinhonha, constituindo às vezes enormes morros de rocha, como na região de Pedra Azul, entre outras. O Rio Jequitinhonha não conserva águas claras que se desejaria. São antes águas turvas e barrentas, pela ação das chuvas também, mais muito mais pelas mãos do homem. Dragas revolvem o leito do rio em busca de ouro e pedras. Sente-se muito ao ouvir pessoas que não foram sempre assim.”

Os estudantes destacam a questão da posse da terra e de alguns aspectos de condição humana, como se segue nas palavras de Thiago: ” Em nenhum dos locais em que passamos pude perceber o predomínio de grandes propriedades de terras. Deve havê-las mas, em geral, a terra se organiza em pequenas e médias propriedades. Todavia, resta em alguns locais a lembrança de um tempo de coronéis, expressas em canções populares e outras manifestações. Há mesmo quem seja chamado de coronel. O povo é, de um modo geral, bastante pobre. Mas entre constatar isso e classificar o Vale do Jequitinhonha de VAle da Miséria, há pelo menos um abismo. Há a pobreza sem dúvida e pode haver necessidades básicas também, como as há em todo o Brasil; mas há dignidade. O homem vive com mais dignidade do que o homem pobre das cidades grandes, por exemplo.”

Itaobim

Ivan Kfraut, estudante de Ciência da Computação, destaca a rende mensal de muitas famílias, que fica entre E$ 120,00 e R$ 150,00. ” A maioria da população sobrevive com esse salário. A realidade de muitas famílias em Itaobim é de R$ 120,00 por mês e sete filhos para cuidar.” Ivan observa que a atividade artesanal é uma maneira de complementar a renda familiar. ” U,ma artesã tecelã em Berilo, a exemplo de outros artesãos, não sobrevive somente do artesanato. De dia trabalha na roça e só à noite tece suas encomendas. Conversamos com várias pessoas em Chapada do Norte. Uma dessas pessoas é guarda noturno e ganha R$ 105,00 por mês mais uma ajuda de R$ 12,00. Ele tem sete filhos, o mais velho com 14 anos. Ele diz que ninguém passa fome, mas também, em casa não tem sofá, cadeira, televisão e outras facilidades. De vez em qundo faz um trabalho extra para melhorar a renda.”

Francisco Eduardo Dias, estudante de Economia, observa que “muitas pessoas na região sobrevivem da extração de minérios, hoje já em decadência. Como a agricultura de subsistência é bastante prejudicada pelo clima seco e carente de chuvas, as pessoas buscam resposta de vida através de outros meios como o artesanato de barro, a tecelagem rudimentar, trabalhos com renda, couro e madeira.

Juliano Testa, estudante de Comunicação Social, acrescenta: ” As pessoas mostram a cultura local através de belíssimos artesanatos de barro e madeira, moldam personagens do dia-a-dia como pássaros, bois, jangadas, e mantêm uma crítica social muito clara quando criam, por exemplo, o sertanejo crucificado. Danças e cantos regionais e folclóricos são outras manifestações sempre presentes: congadas, Folias de Reis, Boi de Janeiro, Viola Caipira, flauta artesanal, tambores…tudo isso sendo colocado na praça, nas ruas, nas casas…é muito bonito. O que achei mais importante, o diferencial, é que a cultura não só esta no artesanato, na dança, na música, na arquitetura…o principal é que a cultura está no povo, no olhar, na fisionomia, no jeito de falar, de andar, no  modo fantástico como lidam com a terra, no modo que curam, no jeito como lidam com a vida…”

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A rivalidade entre as facções políticas locais e a influência dela no desenvolvimento pôde ser captada pelos estudantes ao ouvirem a população. A esse respeito, assim se manifesta Juliano: ” A população mais simples entende que a briga entre os políticos prejudica as condições de vida da população. Em muitas cidades que visitamos, o povo reclama da falta de continuidade de projetos importantes para a comunidade e que muitos metem a mão no dinheiro público. Pudemos, também, constatar que existem prefeitos e prefeitas que estão conseguindo implementar projetos simples e com resultados positivos na educação, na saúde e em outras áreas. Fica a expectativa de que estes projetos sejam continuados pelos sucessores.”

Cintia Daniela de Azevedo, estudante de Arquitetura, revela: ” me causou um impacto muito forte e positivo ver que as contas públicas expostas em grandes painéis na praça. Pude observar isso em Itinga e Turmalina. Estava pintado em grandes quadros o balancete com todas as entradas e saídas do dinheiro público. Isso, por mais falcatruas que possa haver, é muito importante, é muito revelador.” (sic)

O fato de alguns governos locais tratarem as contas públicas com esse nível de clareza causou muito boa impressão e surpresa nos estudantes. Normalmente são governantes com características progressistas, que utilizam modelos de orçamento participativo onde a comunidade, por meio de entidades de representação, determina as prioridades para aplicação dos recursos públicos.

Bárbara Ferreira Alves, estudante de Administração: André Barbosa de Melo, estudante de Ciência da Computação e Renata D´Ádamo, estudante de Comunicação Social, dão destaque especial ao Projeto Educacional, idealizado pela equipe do Padre Felice, de Pedra Azul, que consiste em subsidiar a formação dos jovens do Vale. Uma Fundação criada para este fim assegura as condições para que os jovens possam realizar os seus estudos na capital, com o compromisso de retornarem ao Vale para aplicar o conhecimento adquirido em benefício das comunidades.

Destacam, ainda, o projeto da Escola – Família, na cidade de Turmalina, que utiliza a Pedagogia da Alternância e que, funcionando em regime de semi – internato, permite que o adolescente mantenha uma constante relação de aprendizagem na escola e em sua própria casa. Roberta Teixeira, estudante de Administração, destaca que” visitamos uma cidade onde 60% da população estaca com dengue. Esse parece ser um problema sério em quase toda a região.; potencializado em razão das precárias condições de infraestrutura sanitária básica. Por outro lado, encontramos em todas as cidades a fé evidente em todas as casas. Em todas as casas, fotos da família nas paredes, planta no canto da sala, biscoitos servidos com café e hospitalidade.” (sic)

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Mercedes Gomes, jornalista; Kléber di Lázzare, diretor teatral e Ândrea Mamontow, estudante de comunicação Social, retratam, entre outros aspectos, o “calor” das relações humanas muito marcadas pela simplicidade e companheirismo. Vêem a natureza e principalmente o rio, numa visão bastante poética. Dão um destaque aos elementos da cultura como lendas, folclore, artes e patrimônio histórico.

A analise dos relatórios e a síntese das discussões realizadas pelo grupo, durante e após a expedição, permite concluir uma visão geral que representa a imagem dos estudantes sobre a região:  O lugar, apesar da imposição da seca, é de características naturais, carregadas de muita beleza.

> O povo é, de modo geral, digno e hospitaleiro, apesar da vida muito dura que leva, principalmente pelo grau de pobreza e carência de infraestrutura de serviços públicos.

> A renda familiar de famílias mais pobres é apenas suficiente para as necessidades básicas de alimentação e, em alguns casos, pode-se detectar que nem essa necessidade básica é atendida, requerendo intervenção e ajuda do poder público.

> As condições de trabalho nas lavras e atividades rurais são bastante penosas. As pessoas são submetidas a uma carga horária muito extensa de serviços pesados, em condições ambientais desfavoráveis e com recompensas questionáveis. É uma realidade dura.

> As artes, principalmente o artesanato e as manifestações culturais populares, são de uma riqueza e beleza incomparáveis.

> O acervo histórico no alto do Jequitinhonha é muito rico e, geralmente, em bom estado de conservação.

> Observou-se, sintetizando, dois tipos de governança local: um, mais tradicional e conservador, com pouca visão dos problemas sociais. Esse busca manter a população com o cabresto do assistencialismo no pescoço. Opera com base na pequena ajuda financeira, no fornecimento de alimentação, remédios e outros pequenos favores. Outro, com uma postura mais contemporânea e progressista, administra o município implementando programas e políticas públicas de real interesse da comunidade, principalmente aquelas voltadas para educação, saúde, saneamento básico e trabalho cooperado.

O livro POLITICAS PÚBLICAS NO VALE DO JEQUITINHONHA: a difícil construção da nova cultura política regional, de autoria de Joaquim Celso Freire publicado em 2005  pelo IMES – antigo Instituto Municipal de Ensino Superior, atual Universidade Municipal de São Caetano do Sul – USCS, e Alpharrabio Edições.

Joaquim Celso Freire Silva é administrador, mestre em Administração pelo Programa de Pós Graduação da PUC São Paulo, e plo Programa de Pós Graduação da Universidade Municipal de São Caetano do Sul – USCS.  Atua como professor na área de administração na USCS e no Centro Universitário da Fundação Santo André, já ocupou o cargo de Pró Reitor Comunitário e Extensão da USCS, e a vice presidência de realções institucionais da AMGRAD – Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração e consultor ad hoc  junto a Comissão de Especialistas de Ensino Superior de Administração SESu-MEC. Poeta, tem livros publicados pela Alpharrabio Edições: Fazendo Poeira (1997), Versos Avessos em co-autoria com Débora de Simas (2004)

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