Entre dois pontos de vistas distintos, ambos com eloquência característica de seres urbanos. 

Acesso a Avenida Paulista Gregório Bruber - (detalhe)

São Paulo –  Gregório Gruber – (detalhe)

Post Pedro Ferreira

Ator 1 – Florianópolis quer ser uma cidade turística. Pra ir de ônibus da Trindade pro Campeche tem que pegar 3 ônibus. Então o turista que Florianópolis deseja receber, na contra-mão do turismo no mundo, é aquele que viaja de carro. Talvez seja por isso mesmo que uma parte de seus dirigentes está na cadeia e a outra prestes a ir pra cadeia.

Ator 2 – Floripa é o cú do mundo so muito bobo para fazer turismo neste caos chamado floripa pagar o olho da cara por peixe frito,com batata frita,ficar tres horas num engarrafamento e ficar numa pousada que quando chove as fossas transbordam e vc fica ilhado por merda .uma maravilha sem contar o tempo de viagem porto alegre /f loripa.

Entrando de sola na conversa – Prá começar o papo: Bem….vamos lá! Esse jogo não pode ficar 1X1 – Acho mesmo que toda critica quando EMBASADAvale a pena, tanto mais quando a alma daquele que critica não é pequena. Florianópolis com certeza não é a ultima coca cola do deserto, mas desperta paixões e interesse de brasileiros que saem de seus centros urbanos, desejosos pelos seus mistérios gozosos. Quando nela aportam ..se sentem no direito de gozar seus desejos imediatos sem nenhum princípio de alteridade para com a população nativa, e (des)ativa e permeada de todo o mal que nos cabe neste latifúndio Brazil: má governança, domínio politico de uma elite maldosa, que desavergonhadamente explora mão de obra, e não somente a exploração do semelhante, roubam descaradamente em conluio com os prestadores de serviço como saúde, transporte público e outras mumunhas mais. E assim ocorre em todas as cidades deste país que chamamos Brazil. Ocorre que ao direcionarmos nossas vidas para Ilha, desejamos de fato uma qualidade de vida melhor, e a bem da verdade, abandonar tudo o que descrevi acima na sua cidade de origem: a exploração da elite, o trânsito, o salário minguado, a correria, o alto custo de vida, e vamos para Ilha. Lá é o melhor lugar do mundo, aqui e agora. Quem transforma a ilha num inferno somos todos nós que para além da sua capacidade, invadimos literalmente invadimos a praia do outro, e achamos que vivemos em nosso quintal, recém abandonado (de nossa origem) em busca de um paraíso perdido. . Oras bolas…Se a ilha que nem tanto bruxaria, nem tanto magia desperta o interesse de nos bronzearmos nas suas praias, ao menos deveria ter infraestrutura adequada, isso também é claro.

Restaurante caseiro ao lado da Casa Açoriana - galeria de arte - centro cultural

Restaurante caseiro ao lado da Casa Açoriana – galeria de arte – centro cultural

Tem uma outra ilha que os olhos dos visitantes, seresteiros e forasteiros ao luar não alcança. São manézinhos autênticos, gente sofrida e explorada por toda sorte de gente que viu ao longo desse pequeno espaço de tempo que separa as poucas décadas, o seu recanto se tornar restaurante elegantes, gente que paga em dólar e ao invés do preço da temporada, já compra logo o quintal do manézinho e encosta na cerca a camionete tocando no DVD player musica sertaneja, nativista , hip hop, pagode e outros gêneros musicais de qualidade estética ao mesmo que retórica do zero, prá dizer o mínimo. E deveríamos saber também porque a ilha não tem um sistema de transporte turístico que circule a ilha – pelo menos nas temporadas – porque não interessa ao poder público que depois teria que arcar com a continuidade do sistema. Mas até aí já não podemos fazer nada. Acabou nossas férias e estamos de volta prá casa. Mas por outro lado também encontraremos pessoas qualificadas, profissionais e comprometidas com o devir e fazer das coisas, e um parque tecnológico de alta qualidade com plataformas de dados de alta compressão, design, moda, economia criativa, conteúdos audiovisuais dentre outras linguagens. O que fica difícil entender para nós que somos e sempre seremos de fora – é que essa gente não frequenta a praia mole no verão, pois nesta estação do ano continuam dando duro em suas vidas (trocadalho do carilho, mas enfim..já foi…) Na verdade a gente chega destroçando e exigindo ques manézinhos e manézinhas tenham o aparato intelectual e de prestação de serviços, marca registrada dos grandes centros que é a nossa referencia. por essa ótica a Ilha não é o melhor lugar do mundo. Melhor escolher Aruba, Miami, Orlando. Lá sim encontra-se cultura, shows e cassinos de primeira qualidade, sobretudo gastronomia refinada de primeira qualidade regada a salsichas, hamburgers, bacon, eggs, catchup e mostarda a qualquer hora do dia e da noite ininterruptamente. Mas quem se dispor a alteridade, vai encontrar um lugar muito legal de se ver-viver a estética (des)organizada aos nossos olhos urbanos. São pessoas desprovidas de maldade, celebram a vida, aguardam a cada movimentação da natureza a sua festa da tainha, dos barcos bruxólicos cortando a Costa da Lagoa. Lá na Igreja da Lagoa da Conceição, Lina Bo Bardi se encantou e maravilhada montou a cenografia de um belo filme com Itala Nandi, pro canto do Sambaqui você pode saborear o melhor risoto de camarão avistando o continente, e mais, risoto temperado por uma mineira que escolheu ali prá viver, criar os filhos e agora brincar com os netos, sempre no mesmo lugar. Mas é lá. O banco é de madeira, a mesa e tábua, o do banheiro uma única janela de onde se avista o melhor lugar do mundo. Ali e agora. Se contente ainda não estiver, segue lá prás bandas do Ribeirão da Ilha e passe a semana convivendo lá. Só assim a gente conhece os lugares. Na verdade os lugares são estáticos. A gente conhece os lugares quando conhece – convive com as pessoas desse lugar.

Quem distorce o padrão estético de beleza no quintal do outro somos nós.

Quem distorce o padrão estético de beleza no quintal do outro somos nós urbanos. Conjunto residencial em Santo Antonio de Lisboa.  

Por isso a gente escolhe não frequentar a praia de Torres e descambar estrada afora pra Florianópolis. A gente escolhe o cú do mundo porque é lá que desejamos estar, pois nas cidades, nos grandes centros urbanos, já fomos deflorados desde a muito tempo. Agora também concordo que a Ilha-cidade poderia ter algumas benfeitorias, digamos assim, melhorias algo que melhorasse a vida das pessoas ano inteiro. Mas não podemos nos esquecer que o território é do outro. Não podemos construir nossas casas de veraneio acima das cotas de preservação, não podemos esquecer de levar o lixo da praia, pois a cidade também tem essa deficiência de mão obra. O serviço de limpeza urbana , principalmente nas praias que frequentamos é ruim. Já não acontece dessa maneira no Costão do Santinho. Mas lá são outros quinhentos. Sim. Lá o peixe frito com salada em caldo manga é Quinhentinho mesmo.

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