A Praça Castro Alves é do Povo. E o Mirante de Santana?

As Tribos Urbanas

No post anterior comentei sobre as relações entre a sociedade civil e os poderes públicos, e as dificuldades das organizações da sociedade civil para implementarem de fato ações relevantes à comunidade.

O projeto da Praça do Mirante destacada pela Sub Prefeitura para receber esta ação, tem se mostrado um bom caminho e e vem sendo replicado em outras praças na região, de sorte a praça recebeu a visita do Prefeito Fernando Haddad, Vereador Nelo representante da região na Câmara dos Vereadores. Claro que ainda faltam a instalação do Ponto de Internet no prédio da prefeitura, um ponto de luz e água para o inicio dos saraus propostos pelos moradores. Mas assim caminha a humanidade. Neste post o objetivo e embasar a discussão da comunidade para os próximos passos.

Joan Miró

As tribos espalhadas pelas cidades dos grandes centros urbanos avançam com o desejo de transformações, buscam e redimensionam as suas próprias existências.

Nas Praças o Ponto.

O Encontro, a Cultura e a Ciência.

Há que transbordar dessa experiência viva a coexistência pacifica e a cultura de paz.   

Compartilhando vivências.

Compartilhar é compreender as heranças das tribos de todos os lugares do planeta a partir das que frequentam a Praça, suas características, onde vivem e como construíram seu nicho em termos de arquitetura, enfim, a totalidade das suas expressões culturais. É um bom começo.

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Sem conhecer como e de que maneira os moradores e frequentadores da praça se inserem no convívio social comunitário, as ações iniciadas com o projeto piloto, correm o risco de se tornarem insatisfatórias do ponto de vista efetivo, podem acabar se tornando paliativos ou maquiagens que se desbotam no tempo. Claro que os resultados existem, mas sofrem na manutenção da qualidade significando em perda de efetiva ação duradoura.   

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Muro pintado pelas crianças e moradores compondo padrão visual alegre ao entorno da praça. Após uma semana o muro amanheceu pichado de branco

Essa compreensão poderá fortalecer e estender a revitalização da praça, a renovação d+o espírito fraterno – cidadão entre moradores e usuários e frequentadores tem sido possível e tem gerado um convívio harmônico entre as tribos: moradores, frequentadores, visitantes, estudantes, diletantes, turistas casuais, acidentais, crianças, idosos, internautas, alquimistas, poetas, professores, educadores, motoristas de ônibus, tratores, caminhões; artistas, atores, cantores, trabalhadores, senhoras e senhores, equilibristas, fotógrafos, maquinistas, ginastas, homens e mulheres sem distinção de gêneros. 

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A Cultura é transformadora

Por meio da cultura é possível ir de encontro à compreensão dos valores multifacetados que encontramos nas praças espalhadas pelas cidades do mundo. Através da cultura conseguimos transformar os sonhos abstratos em objetos materializados, palpáveis e mensuráveis do ponto de vista da felicidade.   

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Obra do Sr. Aécio – artista naif residente no bairro. O Sonho do Mirante de Santana

As ações proativas da sociedade civil, desde que possuam identidade e estatura organizada para operar frente aos poderes constituídos são eficazes e duradouras.  As ações de design contribuem na formação da estatura  e organização do grupo,  e aqui,  entende-se como estatura organizada o processamento das informações, tomadas de decisões, de maneira a despertar o encontro da identidade cultural desse território, com as multiculturalidades do  espaço público. A praça. 

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Para materializar ou consolidar algum objeto, produto ou artefato, até mesmo ação comunitária é necessário cumprir a etapa do entendimento do outro. Gerar valores de interdependência, relacionamento e comunhão de ideias, somente assim a propagação gera abundância  e ruma em direção à consolidação do projeto.  

É assim o processo de  transformação do desejo,  surge da ideia abstrata à realização.  Essa utopia própria dos humanos, demasiadamente humanos, deve ser potencializada neste projeto piloto da GVT em prol da comunidade, pois a utopia orienta o desenvolvimento e as transformações das pessoas.  

A participação efetiva do poder público através da sub prefeitura

A participação efetiva do poder público através da sub prefeitura

De inicio pensamos um projeto visionário, tendo como condicionantes as pessoas que habitam ao redor da praça e seus frequentadores, com suas respectivas culturas. Neste momento não nos preocupamos com custos de implantação, mas sim de como essa utopia serve de base para beneficiar um pensamento livre, com o propósito de identificar o que deve ser preservado ou modificado, tendo como principio o bem da coletividade. 

Somente uma abordagem utópica permite algumas reflexões e o apontamento de direções para melhorias na praça, pois as ações do Poder Público existem e somente elas não são suficientes para proporcionar aos moradores e usuários uma boa qualidade de vida. O que garante esses valores são as ações e atitudes que ofereçam a todos no conjunto moradores/usuários condições de coexistência pacifica, para uma intervenção cultural. [1]Conquistada esta etapa é muito importante desenhar cartografia do território.apresentação na praça

Traços Históricos – Tribos Urbanas

Os índios foram os primeiros habitantes dessa região.

Usavam o rio Tietê como ligação para o interior do Estado de São Paulo. Em  meados de 1890 a área começou a ser colonizada com a fundação de treze aldeamentos jesuíticos para dominar a região de Santana.

Essa área dos jesuítas funcionava como cinturão verde da cidade de São Paulo, até então separada pelo Rio Tietê, tendo a sua primeira ponte de acesso à cidade a Ponte Grande em estrutura de concreto e ferro, que também possibilitou a circulação dos trens da Tranway Cantareira circulando de Pinheiros a Tremembé. Inicialmente para transporte de materiais para construção da Adutora Cantareira – como muitas pessoas pegavam carona, a linha passou a operar nos finais de semana com passageiros. 

Aos poucos a cidade apresenta um traçado de ruas, e apesar da atividade econômica ser predominantemente agrícola, a urbanização já começava a dar sinais, os bondes puxados à tração animal são desativados e no lugar surge o “trenzinho da Cantareira” fonte inspiradora de Adoniram Barbosa, usuário ilustre que subia e descia na estação do bairro do Jaçanã.

A história da região tem relações diretas com a história do Império, a sede da fazenda Solar dos Andradas localizada na Rua Alfredo Pujol, onde hoje  encontra-se instalado o Exército Brasileiro e o Curso de Preparação de Oficiais da Reserva – CPOR, foi moradia de José Bonifácio de Andrada e Silva que ali redigiu o manifesto paulista para Dom Pedro I proclamar o Dia do Fico.

O bairro Jardim São Paulo foi fundado em 17 de junho de 1938, formado por chácaras e sítios adquiridos por italianos que cultivavam hortaliças e português que plantavam flores para serem comercializadas no mercado municipal.  A principal estação meteorológica da Cidade de São Paulo esta localizada na Praça do Mirante, a 792 metros de altitude do nível do mar, o prédio foi construído em 1929 e a estação meteorológica do INMET começou a operar em 1945 em na área térrea do prédio cedida pela Prefeitura da Cidade de São Paulo ao Instituto Nacional de Meteorologia – INMET em regime de comodato, e o piso superior do prédio aberto à comunidade para visitação e/ou outra destinação voltada à cidadania.    

[1] Utopia e cidades: proposições

Por Denise Falcão Pessoa

FAPESP – Edit. AnaBlume – 2006

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Um comentário sobre “A Praça Castro Alves é do Povo. E o Mirante de Santana?

  1. Republicou isso em iddeia cultura e pesquisae comentado:

    Sempre ouvi de um amigo que as vezes é muito melhor um passo atras e uma idéia na frente. Pois assim tem acontecido com esse projeto na praça do Mirante. No próximo post iremos publicar o projeto elaborado pelo Pontão de Cultura – Audiovisual e Gestão Cultural e Instituto Som da Língua propondo intervenções culturais no espaço público.

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