O povo Puri, de Língua Macro- Jê

 

A noite acendeu as estrelas porque tinha medo da própria escuridão_Mario Quintana

A noite acendeu as estrelas porque tinha medo da própria escuridão_Mario Quintana

 

José Ribamar Mitoso faz parte do rol de amizades geradas pelo fakeface-book, o qual temos o prazer , diria até majestática republicação do seu post em nossa página iddeia cultura e pesquisa. Claro posto continuaremos a divulgação nas páginas compartilhadas no facebook,.  Todavia infovias digitais próprias, são mais interessantes, permite experimentações e a convivência em diversas linguagens simultaneamente de onde torna-se possível uma observação destas múltiplas multiculturalidades, com olhar de fora e dentro ao mesmo. Tupi or not Tupi!  Eis a questão! – Já postamos aqui na página conteúdo versando sobre, (se interessar, pesquise postagens anteriores). E a riqueza em compartilhar on line, diz respeito a simultaneidade da troca de informações instantâneas. Em princípio entre eu e você, mas quem é eu e quem é você neste facebook? afora os amigos em comuns, somos fakes um para o outro. Não satisfakes com este trafego absurdo de informações que não serve prá nada na sua vida, pelo menos de bate pronto, a gente sempre considera compartilhar instantaneamente – moto continum do que não satisfaz, sob diversas circunstancias e linguagens de muito pouca prosa. Por outro lado, neste novo formato de comunicação em rede de blogs assinados por quem faz e produz , que se apresenta com conceito e solução baseada na forma e função do que se propõe, traduz esse novo formato se comunicação nesta selva cibernética, sem perder de vista  a meta do poeta. Hoje compartilhamos José Ribamar Mitoso: Escritor, Dramaturgo, Professor da UFAM e Cronista Dominical do www.correiodaamazonia.com.br como ele mesmo se apresenta, que nos revela  a ancestralidade da poesia brasileira. Oxalá a antropóloga Prof. Dra. Vilma Chiara possa ser ouvida também, não pra colocar luz “a guisa da conclusão do tema”  mas sim esclarecer os caminhos percorridos pela língua macro jê, considerando o seu trabalho e do marido Harold Schulz no trabalho pioneiro no levantamento étnico dessas nações e povos indígenas com registros das matrizes e matizes culturais desses povos, que hoje compõem o acervo do Museu Arqueológico e Etnográfico da USP.

DAUÁ PURI : O POETA INDÍGENA DAS ENERGIAS DA NATUREZA!
Como sou um escritor torto, em cujas costas largas a hipocrisia gosta de carregar as culpas do mundo, aviso logo que foi o poeta Jorge Tufic quem criou a Teoria da Literatura Amazônica. Digo isto porque esta teoria é contaminosa, subversiva, reimosa e pode causar sífilis, tuberculose, cirrose, bipolaridade ou mal-estar mental no academicismo colonizado e nas teorias transplantadas.

Deus me livre de me responsabilizar por seus efeitos colaterais.
No ensaio Existe Uma Literatura Amazonense? , o poeta Jorge Tufic afirma que a crítica literária brasileira tenta captar a essência de um objeto literário amazônico com teorias e métodos europeus elaborados longe do objeto observado. Afirma , apenas como exemplo, que a teoria literária do Formalismo Russo foi construída estudando os contos populares russos e serve apenas para a interpretação destes próprios contos. Suas trinta e uma funções narrativas não devem ser procuradas nos contos populares brasileiros, na literatura dos povos indígenas , por exemplo.  Para entender a literatura de um povo, de uma cultura, é preciso formular uma teoria que surja do estudo deste objeto e não aplicando impunemente teorias europeias da moda para entender um objeto literário , digamos, brasileiro.
Por conta disto, segundo o poeta Tufic, esquartejaram Macunaíma com o olhar importado do formalismo, do estruturalismo, do funcionalismo, do new criticism, da semiótica, da semiologia , da Escola de Frankfurt, da Teoria do Discurso e quejandos! Despedaçaram o coitado. Fatiaram-no por cada um destes “ângulos de análise”.Assassinaram a Rapsódia.
Ignoraram que para entender a literatura dos povos indígenas é preciso uma Poética que explique sua causalidade mágica e não lógica, suas metamorfoses, suas metáforas vegetais, sua narrativa não-linear, suas imagens surrealistas, sua doçura e sua função. A Teoria da Literatura Amazônica explica tudo isto. Ela serve para polir a lente do olhar de quem pretende curtir o prazer de ler a literatura dos povos indígenas no Brasil. Não tem outro jeito. Não há outro modo de se aproximar das literaturas dos troncos lingüísticos Tupi, Arawak, Pano, Karib e Macro – Jê, por exemplo. Contudo, pior ainda que a aplicação mecânica de teorias literárias europeias ao estudo da literatura popular brasileira, é tentar entender um povo indígena e sua literatura pelo ângulo da arqueologia, da lingüística, da antropologia ou ainda da museologia.

01sandiskdivulgUma pesquisa da Universidade de Ouro Preto, por exemplo, cuja autora omito, teve a pachorra de “A guisa de conclusão “, afirmar que “ouvimos falar em “Nação Puri”, “ Raça Puri”, “ “Língua Puri “, “Tribo Puri “, “Família Puri “ , “Horda Puri “ e, mais recentemente, até mesmo em “etnicidade Puri”, mas seremos realmente capazes algum dia de precisar quem seriam estes Puris. O certo é que até o momento não dispomos de elementos suficientes que possam lançar luz sobre a questão. Uma sugestão a ser pensada seria a de tomarmos a verdadeira conotação do termo Puri – bravio, indomável e bárbaro, enquanto equivalente ao termo Tapuia na língua Tupi, que certamente vem perdendo seu status de categoria étnica, se é que um dia o teve. De fato, se quisermos saber mais sobre estes grupos, temos que nos concentrar em estudos arqueológicos mais sistemáticos na região com vistas ã verificação das localidades indicadas nas fontes para os aldeamentos, enfatizando uma investigação da dinâmica social aí “.
Ou seja , como ela não consegue entender o povo Puri, de Língua Macro- Jê, este povo da Serra da Mantiqueira e do Vale do Paraíba , no sudeste brasileiro, este povo não existe. E a pesquisadora chama isto de ciência. Eu chamo de comédia! E comédia pastelão… E ainda falseia a verdade da língua : Puri, para este próprio povo, quer dizer “manso, doce”e não “bravio e bárbaro”, como ela traduz do Macro-Jê..
O poeta Dauá Puri, que não deve saber qual a etnia desta pesquisadora, sabe muito bem a que povo pertence e sabe muito bem ainda como transformar a literatura tradicional de seu povo em narrativas curtas e poemas da melhor qualidade literária.
Dauá Puri, na tradição literária de seu povo, de início, subverte logo a literatura autoral ocidental: ele atribui sua criação não a si , mas às energias naturais do lugar onde a escreveu. Não é ele quem escreve , mas as energias criativas da natureza em seu ser. Ele, como autor, apenas as transcreve ou traduz.

ALKEH POTEH
( POEIRA DE LUZ )

Cambona schuteh
Conversa boa

boacé poteh
palavra de luz

koiah macapon
falar de amor

churi poteh iaman puri
estrela luz alma puri

tuschahih poteh sana
vésper luz do caminho

omi alkeh poteh chiman
uma poeira de luz estrada

haèraga ocòra
nuvem no céu

ignamá bote iò
raio corta

miricòdha alkeh poteh
estrela pequena poeira de luz

( Pelas energias das montanhas de Miguel Pereira/2013 )
Traduzidas por Dauá Puri

Causalidade mágica, metáforas naturais, sinergia cósmica, surrealismo e sonoridade da língua Macro-Jê , embora em tradução livre. Poesia Pau-Brasil.

A pesquisadora não sabe quem é o povo Puri, mas até os sapos e as gaivotas das matas de Xerém conhecem a história imemorial deste povo.
Na fábula “Shaluh, o sapo, e Sambee, a criança” , são estes animais que contam a história desta cultura para as crianças Puri.
A natureza e os animais são testemunhas milenares da existência desta nação Macro-Jê. Contudo, é compreensível que os ocidentais ainda não tenham aprendido a conversar com os bichos. É risível que insistam no racionalismo curto do “ainda não dispomos de indícios suficientes que possam lançar luz sobre a questão”.
A ciência social ocidental perdeu os sentidos. E não alcançou a luz do poema de Dauá ALKEH POTEH – POEIRA DE LUZ .
Jombey – há muito tempo passado!

Foto: Eu e o poeta Dauá Puri, no coração artístico de Vila Isabel, no Rio de Janeiro!

DAUÁ PURI : O POETA INDÍGENA DAS ENERGIAS DA NATUREZA!
José Ribamar Mitoso
Escritor, Dramaturgo, Professor da UFAM e Cronista Dominical do www.correiodaamazonia.com.br

Como sou um escritor torto, em cujas costas largas a hipocrisia gosta de carregar as culpas do mundo, aviso logo que foi o poeta Jorge Tufic quem criou a Teoria da Literatura Amazônica. Digo isto porque esta teoria é contaminosa, subversiva, reimosa   e pode causar sífilis, tuberculose, cirrose, bipolaridade  ou mal-estar mental no academicismo colonizado e nas teorias  transplantadas.
Deus me livre de me  responsabilizar por seus efeitos colaterais.
No ensaio Existe Uma Literatura Amazonense? , o poeta Jorge Tufic afirma que a crítica literária brasileira tenta captar a essência de um objeto literário amazônico com teorias e métodos  europeus  elaborados longe do objeto observado.  Afirma , apenas como exemplo, que a teoria literária do Formalismo Russo foi construída estudando os contos populares russos e serve apenas para a interpretação destes próprios contos. Suas trinta e uma funções narrativas não devem ser procuradas nos contos populares brasileiros, na literatura dos povos indígenas , por exemplo. 
Para entender a literatura de um povo, de uma cultura, é preciso formular uma teoria que surja do estudo deste objeto e não aplicando impunemente teorias  europeias da moda para entender um objeto literário , digamos, brasileiro. 
Por conta disto, segundo o poeta Tufic, esquartejaram Macunaíma com o olhar importado do formalismo, do estruturalismo, do funcionalismo, do new criticism, da semiótica, da semiologia , da Escola de Frankfurt, da Teoria do Discurso e quejandos! Despedaçaram o coitado. Fatiaram-no por cada um destes “ângulos de análise”.Assassinaram a  Rapsódia. 
Ignoraram que para entender a literatura dos povos indígenas é preciso uma Poética que explique sua causalidade mágica e não lógica, suas metamorfoses, suas metáforas vegetais, sua narrativa não-linear, suas imagens surrealistas, sua doçura e sua função. A Teoria da Literatura Amazônica explica tudo isto. Ela serve para polir a lente do olhar de quem pretende curtir o prazer de ler a literatura dos povos indígenas no Brasil. Não tem outro jeito. Não há outro modo de se aproximar das literaturas dos troncos lingüísticos Tupi, Arawak, Pano, Karib e Macro - Jê, por exemplo.
Contudo, pior ainda que a aplicação mecânica de teorias literárias europeias ao estudo da literatura popular brasileira, é tentar entender um povo indígena e sua literatura pelo ângulo da arqueologia, da lingüística, da antropologia ou ainda da museologia. 
Uma pesquisa da Universidade de Ouro Preto, por exemplo, cuja autora omito,  teve a pachorra de “A guisa de conclusão “, afirmar que  “ouvimos falar em “Nação Puri”, “ Raça Puri”, “ “Língua Puri “, “Tribo Puri “, “Família Puri “ , “Horda Puri “ e, mais recentemente, até mesmo em “etnicidade Puri”, mas seremos realmente capazes algum dia de precisar quem seriam estes Puris. O certo é que até o momento não dispomos de elementos suficientes que possam lançar luz sobre a questão.  Uma sugestão a ser pensada seria a de tomarmos a verdadeira conotação do termo Puri - bravio, indomável e bárbaro, enquanto equivalente ao termo Tapuia na língua Tupi, que certamente vem perdendo seu status de categoria étnica, se é que um dia o teve. De fato, se quisermos saber mais sobre estes grupos, temos que nos concentrar em estudos arqueológicos mais sistemáticos na região com vistas ã verificação das localidades indicadas nas fontes para os aldeamentos, enfatizando uma investigação da dinâmica social aí  “.
 Ou seja , como ela não consegue entender o povo Puri, de Língua Macro- Jê, este povo da Serra da Mantiqueira e do Vale do Paraíba , no sudeste brasileiro, este povo não existe. E a pesquisadora chama isto de ciência. Eu chamo de comédia! E comédia pastelão... E ainda falseia a  verdade da língua :  Puri, para este próprio povo, quer dizer “manso, doce”e não “bravio e bárbaro”, como ela traduz do Macro-Jê..
O poeta Dauá Puri, que não deve saber qual a etnia desta pesquisadora, sabe muito bem a que povo pertence e sabe muito bem ainda como transformar a literatura  tradicional de seu povo em narrativas curtas e poemas da melhor qualidade literária.
Dauá Puri, na tradição literária de seu povo, de início, subverte logo a literatura autoral ocidental: ele atribui sua criação não a si , mas às energias naturais do lugar onde a escreveu. Não é ele quem escreve , mas as energias criativas da natureza em seu ser. Ele, como autor, apenas as transcreve ou traduz.

                                                   ALKEH POTEH
                                                 ( POEIRA DE LUZ )

                                                  Cambona schuteh
                                                    Conversa boa

                                                      boacé poteh
                                                     palavra de luz

                                                     koiah macapon
                                                      falar de amor

                                                 churi poteh iaman puri
                                                  estrela luz alma puri

                                                  tuschahih poteh  sana
                                                  vésper luz do caminho

                                                  omi  alkeh poteh chiman
                                                   uma poeira de luz estrada

                                                        haèraga ocòra
                                                         nuvem no céu

                                                        ignamá bote iò
                                                           raio corta 

                                                       miricòdha  alkeh poteh
                                                  estrela pequena poeira de luz 

                               ( Pelas energias das montanhas de Miguel Pereira/2013 )
                                                      Traduzidas por Dauá Puri

Causalidade mágica, metáforas naturais, sinergia cósmica, surrealismo e sonoridade da língua Macro-Jê , embora em tradução livre. Poesia Pau-Brasil.

A pesquisadora não sabe quem é o povo Puri, mas até os sapos e as gaivotas das matas de Xerém conhecem a história imemorial deste povo. 
Na fábula  “Shaluh, o sapo, e Sambee, a criança” , são estes animais que contam a história desta cultura para as  crianças Puri. 
A natureza e os animais são testemunhas milenares da existência desta nação  Macro-Jê. Contudo, é compreensível que  os ocidentais ainda não tenham aprendido a conversar com os bichos. É risível que insistam no racionalismo curto do  “ainda não dispomos de indícios suficientes que possam lançar luz sobre a questão”. 
A ciência social ocidental perdeu os sentidos. E não alcançou a luz do poema de Dauá   ALKEH POTEH  -  POEIRA DE LUZ .
Jombey - há muito tempo passado!

Foto: Eu e o poeta Dauá Puri, no coração artístico de Vila Isabel, no Rio de Janeiro!
José Ribamar Mitoso
Escritor, Dramaturgo, Professor da UFAM e Cronista Dominical do www.correiodaamazonia.com.br

 

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