A LATA DE LIXO DA HISTÓRIA : UMA HISTÓRIA RECENTE – DECENTE

 

“Eu nunca disse a frase ‘não dá mais pra viver no Brasil’”, diz Wagner Moura

Por Redação maio 26, 2014 15:24

“Eu nunca disse a frase ‘não dá mais pra viver no Brasil’”, diz Wagner Moura

 

(Foto: Brasil Diário)

Em texto encaminhado ao jornal O Estado de São Paulo, ator desmente matéria publicada pelo periódico e diz que “entrevistas que não são gravadas não podem conter aspas do entrevistado”

Por Redação

Durante a semana de lançamento do filme Praia do Futuro, a frase “não dá mais pra viver no Brasil” foi atribuída ao ator Wagner Moura, que vai viver dois anos na Colômbia onde atuará em uma série sobre Pablo Escobar. Porém, o ator emitiu uma nota desmentindo o jornal O Estado de São Paulo, que divulgou a frase como sendo de Moura.

Em nota enviada ao jornal paulista, o ator desmente a matéria que lhe atribui a frase em questão. “Nunca disse a frase ‘não dá mais para viver no Brasil’. Entrevistas que não são gravadas não podem conter aspas do entrevistado. Minha ida para a Colômbia em nada tem que ver com meu desencanto com a política no Brasil, estou indo trabalhar e volto pra casa assim que acabar o trabalho, como sempre fiz. Meus filhos, meus amigos, minha vida estão no Rio, na Bahia, no Brasil”, explicou o ator em texto que foi publicado no Estadão.

Moura ainda explica que está feliz pela experiência que vai viver na Colômbia. “Certamente disse que estou feliz de, neste momento, passar dois anos num país que se reconstruiu pela cidadania, um conceito distante aqui, e certamente fiz críticas fortes ao Brasil de hoje, mas a específica frase ‘não dá mais para viver no Brasil’ eu não disse, tenho certeza”, afirmou o ator.

Polêmicas de Praia do Futuro

E polêmicas não faltam em torno do longa metragem Praia do Futuro. Por conta das cenas de sexo entre Donato e Konrad (Clemen Shicks) um cinema da Paraíba avisava às pessoas que iam assistir ao filme sobre as cenas e o mesmo cinema, contrariando a classificação para 14 anos publicada em Diário Oficial, alterou a idade para 16 anos.

Controvérsias a parte, FÓRUM conferiu “Praia do Futuro”  em sua pré-estreia no Brasil. Confira crítica.

“Praia do Futuro” e os homens além dos estereótipos fáceis

Por Redaçãoabril 20, 2014 10:25

“Praia do Futuro” e os homens além dos estereótipos fáceis

Novo filme de Karim Aïnous traz história densa sobre o amor entre homens que rompe com as classificações existentes das relações entre iguais

Por Marcelo Hailer, na Edição 143 da Revista Fórum Semanal

Na última quarta-feira (16), foi exibido pela primeira vez em território nacional o filme Praia do Futuro, dirigido por Karim Aïnous, que tem no elenco os brasileiros Wagner Moura (Tropa de Elite 1 e 2), Jesuíta Barbosa (Tatuagem) e o ator alemão Clemens Schick.

Para quem acompanha a filmografia de Aïnous, a comparação entre Praia do Futuro e O Céu de Suely, uma de suas principais obras, será inevitável, porém, se em O céu… temos a retratação do universo feminino, emPraia do Futuro é o mundo masculino que dá o tom. Trata-se de uma história sobre relações afetivo-sexuais, de amizade e cumplicidade entre homens.

O ator Wagner Moura e o diretor Karim Aïnous (Foto: Divulgação)

O Abraço do afogado

Praia do Futuro é dividido em três partes e tem o seu ponto de partida em Fortaleza, na praia que lhe dá nome, onde o personagem Donato (Wagner Moura) trabalha como salva-vidas. A primeira sequência do longa se dá justamente com um afogamento, por meio do qual Donato conhece Konrad (Clemens Shicks) ao salvá-lo da morte. O amigo de Konrad não tem a mesma sorte e morre afogado.

Donato fica perturbado por ter perdido um salvamento no mar – é a primeira vez que isso ocorre com ele. Por conta disso, faz questão de levar a notícia a Konrad, que está no hospital. Desinibido, o alemão se troca na frente do salva-vidas e chama sua atenção do mesmo, que oferece uma carona. A partir daí os dois desenvolvem uma relação de profunda cumplicidade e amor.

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À medida em que a data de partida do visitante alemão se aproxima, Donato tenta convencê-lo a ficar no Ceará. O salva-vidas, no entanto, acaba indo ao encontro de Konrad em Berlim e por lá fica, deixando para trás o seu irmão menor Ayrton (Jesuíta Barbosa), que o tinha como figura inspiradora. Inconformado pelo desaparecimento do irmão, Ayrton parte anos depois, já crescido, para cidade alemã com o objetivo de reencontrar Donato e ter um acerto de contas.

Konrad (Clemens Schick), Donato (Wagner Moura) e Ayrton (Jesuíta Barbosa)

Os corpos e a linguagem

Além de ser um filme sobre masculinidades, é notório o cuidado do diretor com o enquadramento dos corpos e o cruzamento entre eles. Temos aí dois momentos. O primeiro na praia, com os músculos expostos e exercitados e, posteriormente, o clima muda: já não há mais sol, apenas o céu cinza, corpos escondidos e concreto. E não apenas o cenário se transforma, mas a estética do filme, que tem uma fotografia exuberante de Ali Olcay Gözkaya, também acompanha essa mudança de cores e temperatura.

Outra questão de profunda importância a ser observada são os diálogos, pois, por mais que os personagens centrais se amem densamente, as conversas quase não existem e, quando acontecem, são entrecortadas e interditas. Para além da fala com palavras, o silêncio e a contemplação são as grandes ferramentas comunicacionais entre os personagens e do filme como um todo.

Praia do Futuro tem uma estética moderna e o tempo do filme também não fica atrás. A sensação que temos em variadas sequências é semelhante ao que sentimos em uma montanha-russa: da calmaria para o caos em questão de segundos. Não há linearidade na obra, seja em termos de cronologia ou de sequência. Em boa parte podemos dizer que são momentos fotográficos que se juntam e constroem a história. Sendo assim,Praia… com certeza vai dividir opiniões entre amor e ódio. Não é um filme fácil, mas vale cada segundo de sua poesia imagética.

Ayrton vai à Berlim em busca de seu irmão (Foto: Divulgação)

Cinema gay?

Praia do Futuro teve a sua estreia no último Festival de Berlim, que aconteceu no mês passado. Durante uma das entrevistas, o ator Wagner Moura declarou que não gostaria que o longa fosse reduzido a um “filme gay”. E ele está coberto de razão. Sim, a história central da obra é entre dois homens, porém, mais do que debater essa relação, trata-se de uma história entre duas pessoas que se encontram e se apaixonam. São dois corpos que se ligam.

E o mais interessante é que Praia do Futuro, com as devidas proporções, dialoga, no sentido da questão de atração entre dois corpos iguais, diretamente com Hoje eu quero voltar sozinho, também exibido no Festival de Berlim e premiado com o Teddy, destinado ao cinema queer. Em entrevista à Fórum, o diretor do filme, Daniel Ribeiro, seguiu a mesma linha e declarou que sua produção é mais do que um filme gay: primeiro, trata-se de um amor não ancorado na estética corporal, visto que o personagem central é cego. Em segundo lugar, é sobre dois garotos descobrindo um sentimento mútuo, que vai muito além das letrinhas que visam reduzir as experiências dos corpos.

Ainda que ambos os longas abordem a relação afetivo-sexual entre iguais fora do estereótipo comum, não podemos deixar de notar o momento do cinema brasileiro, pois Praia do Futuro e Hoje eu quero voltar sozinhosão dois filmes que podem dialogar com o mainstream e também com o underground. Os dois já ganharam a crítica especializada – Hoje eu quero… estreou no mesmo final de semana de Noé e está fazendo público.Praia… também vai entrar no circuito nacional e terá como chamariz o ator Wagner Moura que, goste-se ou não, vive no imaginário popular como o capitão Nascimento de Tropa de Elite.

Outro fato interessante é que, mesmo com cenas de sexo entre os personagens Donato e Konrad, “Praia…” ganhou classificação indicativa de 14 anos. Sinal dos tempos?

Por fim, Praia do Futuro, mais do que um filme poético, é também uma obra política. Em uma de suas cenas mais emocionantes, quando os irmãos trocam cartas, Donato escreve: “fugi por que lá eu só me sentia livre dentro mar, aqui (Berlim) me sinto livre todo o tempo”. Pode não parecer, mas isso diz muita coisa e está bem próximo do nosso cotidiano, em que diariamente sujeitos têm de esconder sua vida.

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