Mais artistas jogam suas trajetórias na lata de lixo da história

O capital existe, se forma e sobrevive a custa da sociedade que trabalha e nem sempre é recompensada pelos lucros que gera – Machado de Assis.

Todos nós jogamos coisas na lata de lixo da história. Coisas são objetos e valores. A cada dia são deletadas zilhões de mensagens , e todas vão para a lata de lixo da história. A chamada causou mais polêmica do que as atrocidades propriamente ditas pelo artista.

Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. Cada um faz do jeito que sabe e pode fazer. Já não somos responsáveis por tudo aquilo que cativamos.

Do acúmulo de mensagens, vivemos neste inicio de século XXI o prenúncio de um futuro cada vez mais interconectado com novos códigos de expressão e comunicação sem precedentes, variando a qualidade X quantidade de informação. Uma nova forma de organização vem sendo desenhada dia a dia pela humanidade, dada a relatividade em que uma determinada mensagem pode produzir frente a sensação de outras gamas de sua própria importância. Quando assistimos um artista, ídolo querido por grande parte do público, expressar pontos de vistas absolutamente vazios de conteúdos, é melhor não ouvi-lo. Mas como deixar do lado de fora a ética e o compromisso do homem – artista – público e privado nestes tempos digitais, por onde as informações fluem em escala global simultaneamente? O que leva o artista se despir da sua arte para ingressar no terreno pantanoso da politica partidária? Goethe retratou o mito desse personagem em Mephisto. As imagens da entrevista são desconfortantes.  O artista cheio de caras e bocas metendo o pau no governo do seu país, sem nenhum pudor e muito pior, sem nenhuma qualificação na informação. Mais parecendo um papagaio repetindo frases feitas de uma profundidade, diria de uma xícara de café, ou de uma poça d´água no asfalto em dia de chuva de verão. O artista materializa o desejo da platéia e transforma em prazer tudo aquilo que nós pobres vãos mortais não conseguimos expressar. Por este motivo adoramos, nos tornamos fãs, e eles se tornam nossos ídolos. O artista não é dissociado do homem e de seus valores. Quando ouvimos “Brasil mostra sua cara! confia em mim””, ou transformam o país num imenso puteiro, nos sentimos representados e de certa forma comprometidos com esses valores expressados. Vai passar nesta avenida um samba popular, amanhã vai ser outro dia, e outras tantas novidades do brejo da cruz onde meninos comiam luz, acalentaram os corações sofridos e as bocas caladas pela ditadura. Com o decorrer do tempo, vencido este período negro da nossa historia, onde muitos partiram num rabo de foguete, o que se espera ou esperávamos dos nossos ídolos seria a coerência das idéias. Ao contrário. Estamos assistindo vários deles jogarem suas trajetórias na lata de lixo da história. Como aceitar ou melhor como assistir entrevistas com Lobão, Roger, Roberto D ávila, Gabeira e tantos outros agora confortavelmente comprometidos com uma mídia retrógrada, que faz uso de concessão pública para nos apresentar um conteúdo de baixa qualidade. Não estamos aqui falando de posições de direita e de esquerda, estamos falando de qualidade estética, de valores e sobretudo do direito sagrado – ora vilipendiado – do contraditório.  Nessa perspectiva é inquestionável que a imprensa – Partido da Imprensa Golpista – PIG – tem cada vez mais cooptado artistas para expressar de maneira subliminar suas idéias em busca de um novo golpe de Estado no país. Foi assim em 1964. Já assistimos esse filme, e sabemos aonde vai dar essa cantilena.  Claro que respeito e admirei a transgressão dos Secos & Molhados, e mais, me sentia representado por esta estética transgressora. Agora uma coisa é uma coisa. Outra coisa é outra coisa. Quando vejo o ídolo sendo jurado de uma novelinha de TV – pano de fundo de um folhetim ordinário, declarando bobagens requentadas em entrevista a rede de tv européia, não tem como – não ficar indignado – não dá prá não deixar de ficar. Assim é se lhe parece:

 

O errado é errado_chico_cabrera

Em respeito à publicação do jornalista Paulo Nogueira fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo, a qual postamos com a chamada: “Ney Matogrosso joga na lata de lixo sua trajetória artística” gerou discussões acaloradas em nosso blog e avançou facebook afora. Foram mais de 1500 comentários ente brasileiros, americanos, portugueses, ingleses, argentinos, canadenses, holandeses, alemães e franceses. Em respeito aos nossos princípios éticos e filosóficos cabe algumas considerações em torno das mensagens recebidas, nos reservamos o direito de elencar apenas as mensagens niveladas sob a ótica da decência e conteúdo, sobretudo da elegância, descartando as de baixo nível, com termos chulos, contaminados por inúmeros ismos: partidarismos, fascismos etc.etc.etc. segue abaixo:

Em determinado momento, a discussão gerou um clima de Fla X Flu, o que não é o caso. Primeiro porque o fato de buscarmos um país melhor, generoso e solidário, não significa que todos sejam partidaristas: petistas, peemedibistas, demoníocratas, ou peessedebista, sem contar os trinta outros partidos registrados no país. Por outro lado, a opinião do amigo virtual Rodrigo Lucheta de Santos representa com clareza o sentimento, ou melhor, o inconsciente coletivo frente a realidade que estamos vivendo neste tempo presente: “Existe uma prática relacional da(s) esquerda(s), afetiva, amistosa, alegre, inventiva, voluntária, ingênua, infantil até, livre… que escapa totalmente à direita. Seja-se de que partido for, ou mesmo que não se seja de partido nenhum: uma pessoa de esquerda se “entende” com outra sentindo, abraçando, beijando, sorrindo, sonhando-junto… Há composições imediatas, de vários tipos. Isso é incompreensível para um direitista. Quase não consigo conter meu riso quando vejo um tucaninho bancando o simpático, tentando camuflar suas neuroses, seu medo-de-gente, sua desconfiança, sua preocupação com posição, cargo, dinheiro, futuro, poder…Há quem pense que faço clivagem partidária… Não, o corte é existencial mesmo. A alegria é a prova dos nove.”

 

 

Ninguém é obrigado a concordar, nem tampouco deixar de ouvir e admirar a obra do cantor citado. Assim se manifestou Cleber Henrique: Achei perfeita a matéria. Por conta desse desabafo sem alicerces o cantor citado pode ter dado um tiro no pé. Mas pelo menos pela primeira vez ele conseguiu um patrocínio. E olha de quem? Da Natura!!! E esse papo de que são os petistas que estão desqualificando o cantor citado é no mínimo risível. Não vou deixar de ouvir a obra do cantor citado. Se ele queria desabafar que fizesse de forma inteligente. Como disse antes em algum lugar e esse texto/matéria disse o mesmo: ele repetiu frases que você lê na capa do O Globo, Veja. Se um ser como ele, que eu tinha como inteligente, faz isso, imagina uma classe média retardada.

Na leitura do internauta Cleber Henrique  no caso, o Ney deveria, se quisesse, pudesse tb – ir mais fundo, entender melhor, para encontrar a problemática verdadeira, e dizer de soluções mais plausíveis e práticas. Tem-se que passar o dia lendo – e te confesso, é mt coisa pra ler. E mais, cada um acaba pegando num ponto, o que ajuda muito. Cada um observa um detalhe – um furo do discurso da mídia. Mas, sabemos, não é e não será fácil mudar o Brasil, fazer um Brasil de verdade. Vamos ter que além de votar melhor, exigir que os projetos sejam executados nos prazos e por técnicos q não sejam pagos para falar de forma q se aprovem projetos q visem grana em primeiro e último lugar – sem levar em conta muitos transtornos e demais entraves e abusos. Sair armada não é algo q eu imagine q dará certo. Votar num presidente cujas alianças criem uma armadilha maior, também deixa muito a desejar. Então, o Ney e muitos de nós – estão mesmo há muito tempo na mídia e de certa forma devem o q são a divulgação desta mídia.

O Fernando Garcia concorda com o exposto e comenta :O Sr. Ney corroborou a grande realidade da classe média brasileira: a falta de conhecimento, Conhecimento que se molda à partir da informação. Nossa imprensa tradicional se esmera em controlar as informações, para que ela não se torne conhecimento, e o Sr, Ney é o típico exemplo desse leitor que acha que por que leu…sabe…

Dayse Botelho achou a análise da entrevista excelente, só não gostou do título, e defende o direito de cada um se expressar como quer, quando quiser, sempre com respeito, e também com a responsabilidade sob as consequências dessas manifestações, grifo meu.

Carlos Henrique Machado Freitas: O momento político está tão ruim que Ney Matogrosso poderia ser presidente do STF, Joaquim Barbosa, lider dos Black Blocs, assim como não há diferenciação essencial entre a esquerda sectária e os reacionários. A coisa está um horror!

 

Imagem disponibilizada no google

Carta aberta ao Ney Matogrosso

Posted by: Luiz Afonso Alencastre Escosteguy 

Querido Ney,

Depois que passamos dos setenta anos, resta-nos pouco tempo de vida. Ao menos de vida útil.

Aproveite, então, para seguir cantando. E nada mais.

Claro que tens todo o direito de se manifestar sobre o Brasil. E deves!

O que não podes, até pela tua posição no cenário nacional, é sair por aí dizendo bobagens! Podes não acreditar, mas há uma grande quantidade de pessoas que saem repetindo as asneiras que disseste em Portugal. Assim como tens o direito de manifestação, NÃO DEVERIAS, jamais, esquecer que tens o DEVER de bem orientar as pessoas que são tuas fãs.

Queres uma mentira dita por ti e por muita gente?

“Porque o governo brasileiro está gastando bilhões de reais para fazer esses estádios de futebol”.

És uma pessoa inteligente, que conseguiu sucesso pelos próprios méritos. Logo, deverias usar essa tua inteligência não para divulgar mentiras como essas, mas para ajudar a esclarecer que o governo não gastou com estádios.mar

Pelo jeito parece que foste influenciado pela grande mídia, interessada que é e por motivos político-econômicos, em acabar com um projeto que é um sucesso reconhecido no mundo inteiro. Ou vais me dizer que não viste o que disse o presidente do Banco Mundial. Ou o que dizem renomados economistas?

Procura te informar no lugar certo e verás a diferença entre financiamento e despesa. Ainda temos tempo de vida para aprender essas coisas.

Outra coisa, meu querido cantor: dizer que “Nos hospitais públicos, as pessoas estão sendo jogadas no chão” é cometer uma generalização do pior tipo, o tipo de quem nunca pisou em um hospital público e se aproveita – mais uma vez influenciado pela mídia – para retratar um país tendo um ou outro caso relatado.

Generalização não é artifício de gente inteligente, sabias?

Queres ver como o pecado da generalização pega gente “boba” como tu? Olha só o que dizes: “Nós somos o pais que mais paga imposto no mundo”.

Queres que eu coloque os dados aqui para mostrar que, das duas uma: ou estás de má-fé, o que não acredito, ou muito, mas muito mal informado, pois até minha filha de oito anos já aprendeu que isso é uma mentira deslavada.

Outra coisa, querido, é dizer que talvez esse imposto seja mal aplicado. Mas olha que interessante: o país funciona! Somos a 6ª maior economia do mundo, temos a menor taxa de desemprego, fomos o terceiro em crescimento em 2013, à frente dos EUA inclusive… Vai vendo… Vai vendo…

Os serviços públicos são ruins?  Na década que sequer tinhas noção de nada – a de 50 que citas como a melhor – o que tinha de melhor em relação a hoje? Que tal contribuir em vez de destruir? Vamos lá, diga aos brasileiros o que tinha de melhor na década de 50 e eu serei o primeiro a defender a volta aos velhos e bons tempos.

Temos corrupção “semanalmente, diariamente”? Querido: desliga a TV e para de ler jornal. São mais de 50.000 políticos eleitos que representam o povo em todo esse Brasil. Não poderias jamais generalizar, pois estás atingindo muita gente que é honesta e que trabalha em prol do povo. Inclusive os servidores públicos, milhões, que acreditam e trabalham por um Brasil para todos e não apenas para aqueles com os quais tens te informado.

Não somos o supra-sumo das nações? Não! Claro que não!

Mas deverias saber disso também: começamos a realmente fazer do Brasil uma nação há pouco tempo. Muito pouco mesmo. Diria que somente na década de 90 começamos os trabalhos de melhorar nossa vida. E foi justamente quando a Constituição começou a brotar seus efeitos, sendo o principal deles a consciência da cidadania.

Mas veja que interessante (repito a expressão): consciência da cidadania é algo que só adquirimos quando não temos fome; quando não temos desemprego; quando não temos uma vida dedicada apenas à sobrevivência.

Mas essas coisas não fazem parte do teu cotidiano, né? Por isso criticas o Bolsa Família. Mas como teu fã, como cantor, te perdoo. Afinal, deves sempre estar mais preocupado com as tuas coisas e tuas apresentações e gravações do que com quem morre de fome, de sede, sem teto, ser terra, sem esperança para dar aos filhos… Fica tranquilo, te entendo.

Só não entendo essa tua falta de vontade de ajudar ou, em outras palavras, tua vontade de apenas criticar e generalizar, incorrendo nos mais básicos erros de afirmar mentiras por todos sabidas como tal.

Para finalizar, só te pediria uma coisa: te informa melhor sobre o Brasil. Saia um pouco dos palcos e da mídia que te sustenta e passe a dar entrevistas apontando soluções para os problemas que temos. E os temos de sobra, bem sabemos.

Um abraço de quem te curte há mais de 40 anos…

PS: continua só cantando, tá bom?

 

A (não) transa de Dilma e Ney

do blog de Alex Antunes

Ney Matogrosso não é um “careta”, um reaça. Na verdade é um ícone da liberdade sexual. As novas gerações não viram, mas o que os Secos & Molhados fizeram em 1973 foi uma verdadeira revolução simbólica. Em pouco tempo, partiram do underground para uma explosão nacional – no país inteiro, não se falava em outra coisa. O disco de estréia vendeu um milhão de cópias em alguns meses, e tocava direto em quase todas as rádios. De repente eles estavam em todos os jornais e revistas, e na televisão.

O estouro foi pelas razões certas. A música era excelente, tocada por caras como Zé Rodrix, e as letras eram poéticas, porém urgentes, irônicas e contundentes. No centro de tudo, a provocação sexy de Ney Matogrosso. Lá fora, a androginia não era novidade: no fim da década de 60, o glam rock na Inglaterra e a cultura hippie instalaram uma certa confusão de gênero. Cantores como David Bowie, Robert Plant, Roger Daltrey e mesmo Mick Jagger (foto) se pareciam frequentemente com moças bonitas.

No ambiente pós-tropicalista do Brasil, o campo estava aberto para artistas como os S&M e Raul Seixas radicalizarem na simbologia contracultureal (sexo, magia, política) sem abrir mão da cultura popular festeira e dançante. Foi assim com o uso do baião por Raul, e do vira (dança portuguesa) pela banda de Ney – a influência portuguesa vinha do principal compositor e inventor do grupo, o inspiradíssimo  João Ricardo.

O Brasil  veio abaixo com a novidade.

Era um tapa comportamental na cara da ditadura, que estava exatamente em seu período mais repressivo, o governo Medici. Em 1973, Dilma Roussef já havia saído da prisão política, onde ficou por quase dois anos, e onde foi torturada. Expulsa da Universidade Federal de Minas Gerais, retomou os estudos (e depois a vida política) no Rio Grande do Sul.

Dilma parece não gostar em especial de música (numa entrevista à Rolling Stone respondeu sobre seu gosto musical com um genérico “MPB e ópera”), mas não tem como ter escapado ao fenômeno Secos & Molhados. Como não escapa hoje ao macumbão da Galinha Pintadinha.

O detalhe: Secos & Molhados deixaram a esquerda tradicional bastante confusa. Os relatos de minha amiga Ana Maria Bahiana sobre sua passagem pelo semanário Opinião, em que sua primeira matéria de capa foi exatamente sobre o fenômeno da banda, são muito engraçados. Era o segundo emprego dela – o primeiro tinha sido na maluquíssima edição setentista brasileira da Rolling Stone.

Já na imprensa militante, o choque cultural entre a visão de mundo severa e pré-contracultural dos comunas barbudos e o “esplendor natural de Ney” era gigantesco. De certa forma era a continuação do choque entre a estratégia didática da “música de protesto” e a chacrinização da Tropicália, anos antes. O cérebro do editor do Opinião, Raimundo Pereira, se retorcia ao pensar em S&M: “Mas isso não é reacionário, Ana Maria? Se é gay, é pequeno burguês”. Para ele, a revolução de costumes não era revolucionária.

Neste fim de semana, Dilma e Ney se reencontraram virtualmente. Circulou nas redes sociais a entrevista dele à TV portuguesa, em que o cantor detona o governo (veja o vídeo). Obviamente os comentários petistas foram no sentido de desqualificar Ney que, por alguma espécie de mágica, teria se transformado num “reaça”. Sem maiores motivos; talvez a idade.

Ney disse mesmo algumas bobagens e simplificações – provavelmente a pior delas a idéia de que “pobres fazem filhos para ganhar a Bolsa Família”. Mas o que os petistas não conseguem enxergar é que boa parte da fala dele procede. E que, principalmente, não se trata de uma transformação “mágica” de um ícone libertário em um reaça, mas de um sintoma de uma forte onda memética antipetista, ou no mínimo antidilmista.

Que é fruto de uma insatisfação que tem que ser levada politicamente em conta, e não desqualificada. Um blog, por exemplo, chamou a fala de Ney de “Ódio à política”, ao invés de “Ódio ao PT”, ou “Ódio ao governo Dilma”. Ora, o PT não é toda a política – nem sequer é toda a esquerda. Esse é o PT, catatônico e defensivo, que se prepara para perder as eleições presidenciais.

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